Produção de texto: como ensinar?

Tempo de leitura: 8 minutos

Que professora nunca olhou para um “bolo” de folhas de produções de texto e suspirou, sentindo um desânimo só de pensar em tudo que teria que corrigir? E que professora, também, nunca se sentiu na obrigação de trabalhar com produções de texto? Atire a primeira pedra quem nunca pensou: “Ah, produção…”. Sim, escrever e formar bons produtores de texto pode ser trabalhoso e demanda tempo e energia. Contudo, essas dicas de hoje vão trazer luz e reflexão para a sua prática, deixando a sua mente “fervilhando” de ideias. Quero só ver se você não vai querer sair daqui direto para a sala de aula para colocar essas dicas em prática! 

Vamos falar sobre 3 aspectos importantes envolvidos nas produções textuais e como podemos fazer boas intervenções para que os nossos alunos desenvolvam cada um destes pontos. 

Coesão: está relacionada à harmonia do textoelementos de ligação, que unem as ideaisos sentidos e a não repetição de palavras, substituindo-as por pronomes e advérbios. 

Intervenções: 

– Pedir ajuda para que eles substituam as palavras por sinônimos (um texto que repete muitas vezes a expressão “o gato”, por exemplo, “o gato pegou a bolinha e o gato furou com a unha”, poderia ser colocada qual palavra no lugar, a fim de não repetir?); 

– Ler um texto para os alunos, repetindo palavras e pedir que eles identifiquem o que tem “de feio” nesta leitura (E daí, e daí, e daí, e daí…); 

– Como motivação antes da produção de texto, montar uma lista de palavras que poderão substituir durante a sua escrita (por exemplo, a expressão “e daí”, pode ser substituída por quais palavras?). Esta lista pode ficar à disposição das crianças durante a escrita do texto; 

– Análise de livros: observar como são os parágrafos iniciais e finais de algumas históriasA turma pode fazer grupos, criar uma tabela com o nome do livro e as frases que iniciam ou que terminam. Depois de pronto, os grupos podem analisar que palavras mais aparecem e podem, inclusive, registrar na lista feita anteriormente, para auxiliá-los durante a produção. Essa prática ajuda a dar repertório para as crianças e amplia o vocabulário, enriquecendo a escrita. 

Foto: arquivo pessoal.

 

Coerência: este elemento é responsável pela sequência lógica da produção textual 

Intervenções: 

– Evitar os textos livres, folhas em branco, sem algum direcionamento inicial.Essa prática faz com que as crianças verbalizem que não têm ideias, a escrita fica difícil e desorientada. A ideia não é podar a criatividade, pelo contrárioé ensinar a estruturarem suas ideias.  

 Apresente para os seus alunos uma finalidade clara para a produção.Pergunte-se sempre: quem vai ler? Pra que serve este texto? Qual a intenção, o objetivo de escrever? 

– Garanta que os alunos conheçam a estrutura que eles precisam escrever, com conhecimentos prévios sobre o que será escrito. Se a proposta será escrever sobre os planetas, é importante que a turma tenha repertório de conteúdo desta escrita. Eles já devem ter trabalhado com este tema anteriormente, podem ter resumos no caderno, ter feito pesquisas anteriores. É essencial saber sobre o conteúdo da escrita; 

 Oportunize momentos de planejamento do texto antes da escrita: quem serãoos personagens, as ideias norteadoras (qual é a situação-problema e como será resolvida); 

– Reflita sobre expressões figurativas. Questione a turma sobre “o que o autor quis dizer com tal expressão?”, por exemplo, “as crianças estavam a mil”, “a turma está ligada no 220”… Peça que os alunos reescrevam os significados e identifiquem outras frases que possuem estes sentidos; 

– Ajude os seus alunos a revisarem o texto. Mas, atenção: dizer “volta lá e revisa” pode não ser uma estratégia eficiente. É preciso que orientemos esta revisão. Uma boa ideia é criar fichas com perguntas para eles marcarem, do tipo “coloquei título? Respeitei as margens e parágrafos? Utilizei sinais de pontuação?”, dentre outras; 

 Deixe os textos dormirem” e volte outro dia. Escrever engloba muitas habilidades simultaneamente. É necessário pensar na estrutura do gênero que será escrito, no conteúdo, na sequência de ideias, nas questões ortográficas. Além disso, ainda existem as questões motoras, de percepção visual, de controle inibitório, atenção, dentre muitos outros processos. Por isso, produzir um texto e revisar, pode ser cansativo. Uma boa estratégia é fazer a escrita um dia e revisar no outro. Com a “cuca fresca” a gente consegue enxergar melhor os aspectos que podem ser melhorados; 

– Que título daríamos para este texto/parágrafo? Começar pelo título pode ser mais difícil. Estimule as crianças a lerem parágrafos e depois pensarem em títulos. Cubra o título de um livro com fita crepe, leia a história e pensem em diferentes nomes. Este é um exercício que as crianças podem fazer, posteriormente, com as próprias produções; 

 Trabalhe com post its! Cada criança pode receber três post its (folhinhas coloridas) onde escreverão ideias para o início, meio e fim das histórias; 

– Outra estratégia muito bacana é a “Fábrica de Histórias”. São várias cartinhas com personagens, lugares, situações problemas e soluções. Cada criança tira uma carta e monta uma história com aqueles elementos. 

 

Estrutura: este elemento engloba os sinais de pontuação, parágrafo e espaçamentos. 

Intervenções: 

– Confeccione “paragrafeiras. Trata-se de um palito de picolé com uma marcação na ponta. É um recurso super simples, que ajuda as crianças a marcarem o lugar certo da margem e do parágrafo; 

Foto: Adriana Domingos, aluna dos cursos Clarissa Pereira.

– Trabalhe com textos em cartazes. Esta intervenção coletiva ajuda a desenvolver a consciência ortográfica de segmentação das palavras. Mostre os espaçamentosenumere as linhas, vejam o número de palavras por linha, identificação de palavras estáveis; 

Foto: Adriana Santos, aluna dos cursos Clarissa Pereira.

– Faça linhas coloridas na lousa. Uma linha marcando a margem e outra linha marcando o parágrafo. Os alunos podem fazer o mesmo no caderno. Esse é um simples recurso que pode ajudá-los no espaçamento do parágrafo; 

Foto: arquivo pessoal.

 Faça leituras modelo, grave as leituras dos alunos e transcreva falas. Essa prática faz com que as crianças percebam a importância dos sinais de pontuação para a compreensão leitora; 

– Conte número de parágrafos e frases. Isso ajuda também na hora da interpretação do texto, quando as crianças forem procurar as ideias; 

– Marque sinais de pontuação e letras maiúsculas, refletindo os motivos das letras maiúsculas (é início de frase/parágrafo ou é substantivo próprio?). 

 

Dica extra: leve para a turma um texto de sua própria autoria, escrito em folha pautada, à mão mesmo! É importante as crianças verem que nós escrevemos, refletindo sobre aquelas mesmas questões anteriores: para quem a “profe” está escrevendo e por quê? Ter o texto da professora como referência é uma boa estratégia para sair da folhinha convencional, digitada no computador. 

Outra questão importante para ser levantada, é a necessidade da docente saber o que é esperado para o ano escolar e seus alunos: saber quais metas e objetivos deseja atingir em relação às produções de texto em cada ano escolar. Aqui vão algumas dicas gerais para serem consideradas nos objetivos de cada ano escolar: 

1º ano – professora como escriba, investimento em textos coletivos, listas de palavras e na faceta linguística: introdução a leitura e escrita de palavras; 

2º ano – pontuação (! . ?), cópias da lousa, espaçamento de parágrafos, ortografia regular; 

3º ano – pontuação (! . ? – :), diálogos, regularidades e irregularidadesortográficas e parágrafos; 

4º ano – pontuação (! . ? – : ,), “limpeza” do texto: inclusão de mais aspectos gramaticais ao texto (estudo de adjetivos, pronomes, verbos vão ajudar nisso), ortografia; 

5º ano – repertório gramatical, concordância nominal, concordância verbal, ortografia e todos os sinais de pontuação. 

 

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Abraço, 

Camila e Clarissa 

4 Comentários

  1. Avatar

    Trabalho atualmente com fundamental II e alguns alunos ainda tem muita dificuldade de escrita. Vou tentar adaptar algumas das suas dicas para minhas aulas de redação.
    Obrigada!

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  2. Avatar

    Clarissa, amei as dicas!!! Nos 3°,4° e5° anos temos uma ficha para análise das produções textuais. Realizamos a revisão dos textos individualmente c a criança q “arruma “, o q é preciso, levando as modificações p sua carteira em post ita.Realizamos a revisão 1° da coerência,2° coesão e 3° ortografia. Fazemos 1 produção no mês, no máximo duas. Mas são bastante produtivas.

    Responder

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