Primeiros passos para alfabetizar seus alunos

Tempo de leitura: 5 minutos

Observe a foto abaixo e depois continue lendo esse texto. 

 

 Agora, responda mentalmente: 

– Você identifica qual é esse gênero textual? 

– Identifica alguma palavra? 

– Conseguiria pedir algo para comer desse cardápio? 

– Consegue localizar o nome do restaurante e os tópicos do menu? 

 

Provavelmente, você tenha respondido que sim para todas essas perguntas. Por mais que você não seja alfabetizada na língua que este cardápio está escrito (que, a propósito, é o francês), você consegue compreender o contexto do que está escrito ali. Isso acontece porque você é um adulto letrado; ou seja, consegue fazer o uso funcional da linguagem, englobado pelas facetas socioculturais e interativas da alfabetização, segundo Magda Soares. O gênero textual que escolhi colocar aqui, que é o cardápio, é um gênero com o qual você já teve contato diversas vezes, conhece a sua estrutura, e por isso consegue identifica-lo. 

Fica claro, então, que não existe possibilidade de fazermos uma viagem de alfabetização sem pensar em contexto de letramento. Necessitamos, dentre muitos aspectos, utilizar textos e palavras que façam sentido para a realidade de cada grupo. O cardápio, por exemplo, faz sentido para os adultos, mas pode não fazer para as crianças, já que, na maioria das vezes, são os próprios pais que pedem a comida. Contudo, os nomes próprios são grandes aliados, tendo em vista que são as primeiras palavras de referência das crianças e materializa quem elas são em letras. A identidade, as memórias e as estruturas familiares são ótimos contextos para desenvolver as primeiras habilidades para que o processo de alfabetização aconteça. 

 

Quais seriam os primeiros passos para alfabetizar? Quais habilidades desenvolver? 

 

Letramento 

 Há bastante tempo e, infelizmente, até os dias de hoje, a alfabetização do país está muito pautada em cartilhas e apostilas com pseudotextos (do tipo “Ivo viu a uva”) e famílias silábicas. Era considerado alfabetizado a pessoa que escrevesse seu nome, mesmo que não conseguisse ou não fizesse uso da leitura e da escrita em outros contextos. 

A partir dos estudos sobre alfabetização, de uma reflexão sobre estas cartilhas, começaram-se pesquisas em direção ao letramento. Os estudos de letramento colocaram em evidência a importância de usar textos reais para dar sentido à funcionalidade da escrita: Por que escrevo? Para quem escrevo? Quem é o meu interlocutor? Com isso, a compreensão leitora, a produção de textos, os sentidos das práticas de leitura também deveriam se tornar prioridade nas pesquisas e nas didáticas. 

Nesse sentido, precisamos sempre pensar em alfabetizar em contexto de letramento, ao invés de tê-lo como o vilão da alfabetização. 

  

Conhecimento de letras 

Para aprender a ler e a escrever, é importante que a criança perceba que escrevemos com letras e não com números, símbolos ou desenhosNa nossa escrita, baseada no Sistema de Escrita Alfabética (SEA)as letras representam o significante; ou seja, os sons – e não o significado. Para que a criança se alfabetize é importante que ela consolide as 10 propriedades do SEA. São elas: 

 

10 Propriedades do Sistema de Escrita Alfabética, segundo Artur Gomes de Morais (2012): 

1 – Escreve-se com letras, que não podem ser inventadas, que têm um repertório finito e que são diferentes de números e de outros símbolos; 

2 – As letras têm formatos fixos e pequenas variações produzem mudanças na identidade das mesmas (p, q, b, d), embora uma letra assuma formatos variados (P, p, P, p); 

3 – A ordem das letras dentro das palavras não pode ser mudada;   

4 – Uma letra pode se repetir no interior de uma palavra e em diferentes palavras, ao mesmo tempo em que distintas palavras compartilham as mesmas letras;  

5 – Nem todas as letras podem ocupar qualquer espaço dentro das palavras; 

6 – As letras notam ou substituem a pauta sonora das palavras que pronunciamos e nunca levam em conta as características físicas ou funcionais dos referentes que substituem; 

7 – As letras notam pautas sonoras menores que sílabas; 

8 – As letras têm valores sonoros fixos, apesar de muitas terem mais de um valor sonoro; 

9 – Além das letras, usam-se também marcas como acentos, que mudam a tonicidade; 

10 – As sílabas variam conforme a posição das letras (consoante + vogal, consoante + consoante + vogal…). 

Leia aqui dicas de como desenvolver essas 10 propriedades.

 

Consciência fonológica 

Para falarmos sobre consciência fonológica, é necessário compreender o conceito de consciência metalinguística, que consiste em “refletir sobre a linguagem. Essa reflexão pode se vincular a diferentes dimensões da língua: seus sons, suas palavras ou partes destas, as formas sintáticas usadas nos textos que construímos, as características e propriedades dos textos orais e escritos” (MORAIS, 2019, p.41).  

Dentro do guarda-chuva da consciência metalinguística, encontram-se diferentes “consciências”. Uma delas, que é importantíssima para o sucesso da aprendizagem da leitura e da escrita, é a CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA (CF): “conjunto de habilidades que permite à criança compreender e manipular unidades sonoras da língua, conseguindo segmentar unidades maiores em menores.” (PICCOLI, CAMINI, 2012).  CONJUNTO DE HABILIDADES; portanto, NÃO É MÉTODO de alfabetização. 

A Consciência Fonológica engloba a consciência lexical, consciência silábica, de sílabas, consciência de rimas e aliterações e consciência fonêmica. Essas consciências possuem uma hierarquia na aprendizagem, sendo a dos fonemas a mais complexa, já que o som das letras isoladas não são pronunciáveis. 

Para dicas práticas de como desenvolver essa habilidade nos seus alunos, clique aqui. 

Para aprender como desenvolver jogos e atividades que estimulam os diversos níveis de consciência fonológica, participe da nossa oficina on-line de aprenda o passo a passo para criar seus recursos pedagógicos com criatividade, de forma simples e rápida. Acontecerá no dia 18/03, às 20h, e será gratuita! Inscreva-se aqui!

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Abraço,
Professora Clarissa Pereira e Camila Oliveira         

(Texto redigido por Camila Oliveira e revisado por Clarissa Pereira).   

 

2 Comentários


  1. Quero parabenizar você Camila e toda sua equipe pelo belo trabalho. Mesmo antes de fazer o curso já estou encantada com o material enviado por você. Está sendo de grande valia para meu trabalho com alfabetização e letramento.
    Excelente material.
    Mais uma vez PARABÉNS!!!

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