Os cinco mitos da Alfabetização

Tempo de leitura: 5 minutos

Quando o assunto é alfabetização, a pergunta mais feita para o Google é: “Como alfabetizar alguém?”. Na live de 10 de junho, eu e a Tia Mari debatemos o tema e concluímos que a resposta para esta pergunta une afetividade e ludicidade. Mas para explicar as reflexões que nos levaram até essa conclusão, é preciso fazer um importante exercício: derrubar os mitos.

Se você perguntar a qualquer professor sobre alfabetização, a resposta poderá vir acompanhada de palavras como ‘medo’ e ‘métodos’, pois é comum ouvir de educadores sobre o medo de não alfabetizar pelo medo dos métodos.

Como já adiantei, não temos uma receita de bolo para alfabetizar uma criança. O que temos são caminhos e estratégias que vamos tentando com a turma. Mas é claro que tudo isso só funciona na prática se você atrelar com a teoria. Então, vamos aos mitos:

 

  • Não é preciso teoria por parte do professor. O educador deve ter conhecimentos linguísticos para planejar boas atividades. É preciso saber os fundamentos, entender como é o processo de aprendizagem da criança, para então, definir quais são os melhores recursos. E tudo isso, o professor só consegue desenvolver se ele se capacitar. Portanto, aproveite a oportunidade para se inscrever em nosso Curso de Alfabetização na Prática, o CAP, em que abordamos nos seis módulos, o conceito, métodos e planejamento da alfabetização. Teremos uma nova turma no dia 4 de agosto. Para saber mais, clique aqui.

 

  • Criança aprende por osmose. Não! Uma criança aprende de uma forma diferente da outra. Se um professor resolve trabalhar uma letra, de forma exaustiva, por exemplo, esse educador não irá trabalhar com todas as propriedades que a criança precisa para estar alfabetizada.

 

Alfabetização é resumida a níveis psicogenéticos. Isso não é tudo! Os níveis psicogenéticos são fruto de uma pesquisa da Emília Ferreiro e da Ana Teberosky. Por isso, não devemos ficar presas a eles, mas refletir em como trabalhar com intervenções diferentes para cada grupo.  Nesse contexto, a Tia Mari destaca algumas dicas:

 

– Colocar os alunos pré-silábicos mais próximos do professor, para um melhor acompanhamento e interação;

– Misturar a turma com alunos avançados perto dos alunos menos avançados;

– Priorizar atividades coletivas, para despertar o interesse da criança pela leitura e escrita;

– Estimular o trabalho de monitoria, onde o aluno que acaba primeiro auxilia os colegas, pois a forma dele passar conhecimento é diferente do professor: eles falam a mesma língua!

 

  • O melhor é o método… Nem vou terminar essa frase, pois não existe um método salvador. O professor precisa ter em mente que as estratégias devem caminhar juntas. O melhor método é aquele em que o professor é protagonista e o aluno também é protagonista. O método bom é o que refletimos como a criança está desenvolvendo a partir do que estamos oferecendo para ela, sem desconsiderar a realidade que a criança vive, a estrutura familiar. A alfabetização é um processo contínuo, não é o que finaliza no 1º ano. As crianças aprendem e se transformam o tempo inteiro, e o papel do professor é dar caminhos. Sendo assim, não podemos fugir dos métodos. É necessário, SIM, um conjunto de procedimentos para dar conta da faceta linguística (alfabetização), interativa e sociocultural (letramento). Para isso, é preciso uma metodologia bem fundamentada. Aprofundamos este assunto em uma entrevista com o Professor Artur Gomes de Morais. Veja aqui!

 

  • Mais sala de aula e menos brincadeira. Brincar só por brincar! Criança precisa ter o tempo dela de brincar fora da sala. E dentro da sala, o professor pode usar a brincadeira a favor dele e do aluno, com atividades lúdicas.

 

Não poderia terminar esse texto sem compartilhar com vocês duas atividades de alfabetização que a Tia Mari contou na live e que ela usa no dia a dia em sala de aula:

 

Trabalhando a letra ‘p’ com o Pato Pateta

Pa pe pi po pu no quadro? Não! A solução encontrada pela Tia Mari para ‘fisgar’ as crianças foi a música do Pato Pateta. E a canção surtiu efeito, pois, além das crianças aprenderem palavras novas com a letra ‘p’, a Tia Mari conseguiu trabalhar sílabas, fazer associação de letra inicial, associação de palavra com imagem e jogo de colocar as palavras no quadro.

 

Salada de frutas

Na atividade da salada de frutas, a Tia Mari pediu aos responsáveis dos alunos para cada criança levar uma fruta para aula. Em um trabalho coletivo, as crianças, junto com a Tia Mari, é claro, cortaram as frutas, e colocaram em um recipiente, conforme a receita. No momento em que os alunos faziam o processo, a Tia Maria repetia o passo a passo com as crianças. Eles terminaram, provaram a salada, e depois dessa vivência construíram um texto coletivamente com a receita da salada de frutas, apontando os ingredientes e o modo de fazer. Assim, a Tia Mari conseguiu explorar todo alfabeto através das frutas.

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Um Abraço,

Clarissa Pereira

24 Comentários

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      Olá, Adriana, tudo bem?

      Muito bom saber que você gostou.
      Continue nos acompanhando que vem bastante coisa boa por ai.

      Abraços, Martha #EquipeClarissaPereira

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  1. Avatar

    PARABÉNS professora, suas dicas nus encoraja a não ficarmos presas em caminhos muitas das vezes traçados sem sucesso. Precisamos sim de foco e ação. Obrigada pelas dicas.

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    Já ulitizo algumas dessas dicas com os meus pequenos. Apesar de alguns pais ainda estranharem e questionarem o “pa, pe, pi, po, pu, pão” como forma de treinamento.
    Amei o conteúdo. Parabéns! 👏👏👏😉

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  3. Avatar

    Gostei muito do cap e me incentivou a fazer uma faculdade de psicopedagogia . partindo das aulas . Agora estou estudando metodologia da alfabetização a professora é boa mas suas atividades e explicação foram mais relevantes. Obrigada 💖

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    1. Avatar

      Olá, Maria, tudo bem?

      Nossa, que legal a sua história com o CAP!
      Muito bom saber disso e obrigada pelo carinho de sempre!

      Abraços, Martha #EquipeClarissaPereira

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  4. Avatar

    Adorei o conteúdo. Espero que nos proporcione cada vez mais . Parabéns pelo trabalho…

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  5. Avatar

    atividades lúdicas e significativas são muito boas para o aprendizado na alfabetização

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