Matemática e Neuropsicologia: o que a escola deve saber?

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Quando pensamos em aprendizagem, precisamos colocar o nosso aluno como protagonista. Muitas vezes, colocamos muito o foco em como ensinar e pouco em como se aprende e, por este motivo, acabamos por reproduzir um ensino baseado em memorização sem significado, optamos por estratégias obsoletas e esquecemo-nos de planejar intervenções com INTENCIONALIDADE.

Quando pensamos em ensino da matemática, se faz necessário compreender dois pontos muito importantes:

  1. O ensino da matemática é hierárquico; isto é, existe um caminho de habilidades a ser percorrido, onde o que será desenvolvido depende da consolidação de uma competência anterior. Quando alguma habilidade não é bem desenvolvida, é muito provável que este aluno adquira dificuldades posteriores, e essas dificuldades, neste caso, são promovidas pela esfera pedagógica-escolar, e não por questões sociais, familiares, biológicas, dentre outras.
  2. Existem habilidades que são de domínio geral – aquelas que são recrutadas para aprender QUALQUER coisa, tais como linguagem, atenção, memória, percepção visual… Já as habilidades de domínio específico da matemática são aquelas que precisam ser recrutadas quando se aprende exclusivamente aritmética, tais como senso numérico, letramento matemático, sistema de numeração decimal, princípios de contagem, dentre outros.

Hoje, aqui, vamos abordar sobre as habilidades de domínio geral que são mais influentes quando o assunto é desempenho aritmético. Esses dados são advindos de diversas pesquisas, inclusive da minha dissertação de mestrado.

Das diversas funções cognitivas necessárias para aprender matemática de maneira eficiente, três aparecem como mais importantes. São elas:

  • Linguagem oral: a linguagem está diretamente relacionada ao ensino da matemática – inúmeras pesquisas científicas já comprovam isso. Há, inclusive, novas pesquisas que investigam as relações entre desempenho aritmético e consciência fonológica. Essas relações acontecem porque o ensino da matemática inicial é muito pautado na oralidade, como contar em voz alta, por exemplo. Além disso, os problemas matemáticos e as explicações dadas pelos professores envolvem linguagem, tanto escrita, como oral. Portanto, pessoas que possuam dificuldades em leitura, escrita e compreensão, potencialmente (não necessariamente), terão déficits no seu desempenho aritmético também.
  • Habilidades visuoconstrutivas: é a capacidade de visualizar e construir (reproduzir). Outra característica do ensino inicial da matemática é o uso massivo de materiais concretos e expressões gráficas. Esses usos são fundamentais, tendo em vista que a criança precisa partir do mundo físico para, mais tarde, conseguir abstrair os conceitos matemáticos.
  • Funções executivas: as funções executivas englobam a memória de trabalho, o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva (para saber mais, veja esta live). Tais funções aparecem como fundamentais para manutenção da atenção, escolha do procedimento aritmético correto e capacidade de resolver problemas.

Vale ressaltar um dado muito importante: quanto maior a idade escolar, mais as crianças tendem a necessitar do recrutamento das funções executivas e menos se apoiam na linguagem e nas habilidades visuais. Isso tende a acontecer porque conforme o ano avança, mais complexo os conteúdos ficam e exige-se uma maior capacidade de abstração e desprendimento do concreto.

Quanto a nós, professores, cabe estarmos sempre em formação, buscando atualização baseada em evidências científicas, a fim de realizarmos práticas docentes responsáveis e intencionais. Conhecer os processos cognitivos pode nos ajudar a olhar o nosso aluno com mais sensibilidade e aprimorar nosso fazer docente em busca de intervenções pedagógicas preventivas e remediativas.

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Grande abraço,

Professora Camila

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