Diagnóstico na Alfabetização Inicial no Ensino Remoto

Tempo de leitura: 4 minutos

A avaliação diagnóstica é o primeiro passo para qualquer professora alfabetizadora iniciar o ano letivo. Na verdade, não apenas para as alfabetizadoras, mas para toda e qualquer professora, de qualquer ano escolar. Sondar “por onde andam as aprendizagens dos seus alunos” é EXTREMAMENTE importante para traçar as nossas metas e objetivos, construindo um planejamento adequado e pensando em estratégias pontuais para o avanço da turma; afinal, este é o objetivo da avaliação. 

Em tempos de ensino remoto ou híbrido, as formas de avaliar mudam e precisamos de um cuidado e atenção diferente do habitual. Por isso, separamos algumas dicas para te ajudar nesse processo de pensar sobre como é possível fazer uma avaliação diagnóstica. 

 

Dicas para a avaliação diagnóstica no ensino remoto: 

 

  • Seja flexível: considere as diferenças do ensino presencial e do remoto. Não crie expectativas de que será igual. A alfabetização acontece a partir de interações entre os colegas, o adulto e o aluno, a criança e o ambiente. No ensino online, isso não é possível de maneira efetiva. Isso significa que não iremos fazer o melhor? De maneira alguma! Faremos o melhor que pudermos sempre! 
  • Encontre a melhor forma de comunicação com a turma: faça um mapeamento de qual seria a melhor forma de encontrar com os estudantes, caso a escola não proponha alguma plataforma. Algumas ferramentas úteis são o WhatsApp, vídeos gravados no YouTube, Telegram ou até busca de atividades na escola. 
  • Encontre a forma de atender os demais alunos: sempre vai existir alguns alunos que não conseguirão acompanhar a turma com a ferramenta escolhida. Tente, então, encontrar alguma forma de atendê-lo. Se, por exemplo, você tem 30 alunos no seu grupo e apenas 25 possuem acesso ao WhatsApp, veja como é possível atender os outros 5 (levando as atividades presencialmente na escola, talvez?). Lembre-se sempre de fazer o possível – sem se sobrecarregar com a necessidade de desempenhar o papel de heroína! 
  • Oriente os pais: os pais e responsáveis dos seus alunos, muito provavelmente, não são professores ou pedagogos. Por isso, é importante que você os instrua sobre a melhor forma de auxiliar os filhos. No impulso, eles podem querer corrigir as escritas, por exemplo, e não deixar que nada retorne com erros, mascarando o real desenvolvimento da criança que, por sua vez, não receberá as intervenções necessárias. Envie fotos, filmagens ou grave áudios dando instruções simples de como os pais podem ajudar os filhos. 

 

Em relação ao trabalho do professor, no que diz respeito à avaliação diagnóstica, se faz necessário refletir sobre 4 pontos: 

 

1 – O que será avaliado: defina o que você deseja avaliar nos seus alunos. Alguns aspectos importantes em relação à linguagem são: 

  • Letramento 
  • Nome próprio 
  • Consciência fonológica 
  • Compreensão 
  • Leitura/decodificação 
  • Reconhecimento de letras
  • Escrita 

 

2 – Crie um instrumento avaliativo: os instrumentos avaliativos não precisam se restringir às folhas estruturadas, podendo ser, também, jogos ou atividades lúdicas. 

  • Letramentoutilização de gêneros que fazem parte do cotidiano da criança, reflexões do “Por que escrever? Por que ler? Para quem escrever? Leia mais sobre este assunto clicando aqui!
  • Nome próprio: escrita/leitura do seu nome, identificação dos materiais escolares. Para mais ideias, veja aqui.
  • Leitura/decodificação: utilização da janelinha/preguicinha. A professora Kátia, que é nossa aluna, por exemplo, fez uma sondagem de leitura com os nomes dos personagens de uma história em quadrinhos da Turma da Mônica, que os seus alunos estavam lendo. Ela deu plaquinhas com os nomes dos personagens para todos os alunos. Conforme ela mostrava a imagem de uma personagem, as crianças levantavam a placa correspondente.
  • Consciência fonológicabrincadeiras com rimas, aliterações e sílabas – sempre partindo de palavras estáveis (pode ser o nome próprio!). Neste artigo aqui temos muitas ideias práticas! Vem ler!  Ainda na ideia da professora Kátia, ela desafiou as crianças a pensarem palavras que começavam com o mesmo som dos nomes das personagens da história em quadrinhos. As crianças precisavam perceber, através de imagens, quais palavras não combinavam (Cebolinha, celular e jacaré).
  • Compreensão: sequência de imagens, organização dessa sequência, compreensão oral, reconto oral de histórias. 
  • Reconhecimento de letras: neste link temos muuuuuuitas sugestões!. 
  • Escritaautoditado, ditado das 4 palavras e uma frase, imagem com espaços onde a criança escreverá, utilização de letras móveis para escrever palavras ditadas. 

 

3 – Defina quando irá avaliar: tenha uma data definida e planeje esse momento. No caso do ensino remoto por videoaula, pense na possibilidade de dividir o grupo por horários. 

 

4 – Registre e reflita sobre os resultados obtidos: o registro é importante pois, a partir dele, você poderá pensar nas intervenções que poderão ser feitas para que o seu aluno avance. 

 

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Abraço,
Professora Clarissa Pereira e Camila Oliveira        

(Texto redigido por Camila Oliveira e revisado por Clarissa Pereira) . 

1 comentário


  1. Acompanho e compartilho suas ideias que nos ajuda muuuuuuuito. Parabéns pelo seu desempenho e de toda sua equipe.

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