Consciência silábica NÃO É método silábico

Tempo de leitura: 4 minutos

Dentro do guarda-chuva da consciência metalinguística, encontram-se diferentes “consciências”. Uma delas, que é importantíssima para o sucesso da aprendizagem da leitura e da escrita, é a CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA (CF): “conjunto de habilidades que permite à criança compreender e manipular unidades sonoras da língua, conseguindo segmentar unidades maiores em menores.” (PICCOLI, CAMINI, 2012).  Muitos autores que pesquisam sobre Consciência Fonológica a classificam em diferentes níveis. O que todos estes estudiosos concordam é que a consciência das sílabas, das rimas e aliterações e dos fonemas, estão envolvidas neste “guarda-chuva” maior. Ainda concluem que estas habilidades possuem uma hierarquia para ser trabalhada, que respeita a mesma sequência já citada. 

Magda Soares, em seu livro “Alfabetização, a questão dos métodos, expõe que, desde bebês, possuímos uma sensibilidade para perceber e reproduzir as sílabas, mesmo que sem nenhum treinamento, analfabetos, sem escolarização formal. É possível que isso ocorra porque as sílabas são a menor unidade da fala que pode ser reproduzida – nossa oralidade é segmentada em sílabas e não em fonemas, por exemplo, “ca-sa” e não “c-a-s-a”. 

Apesar desta capacidade inata ao cérebro humano, e que acontece, inclusive, em outros idiomas, essa habilidade deve ser tornada explícita. A consciência silábica acontece a partir da fonetização da escrita e manipulação das sílabas, compreendendo que a escrita representa os sons que falamos. Sendo assim, a consciência silábica NÃO PODE SER CONFUNDIDA com MÉTODO SILÁBICO. 

O método silábico baseia-se no uso restrito de sílabas para que a aquisição da leitura e da escrita seja consolidado. Uma das estratégias muito comum em classes de alfabetização são os usos de fichas de leituras ou de famílias silábicas. Muitas professoras que fazem uso apenas deste método chegam até mim inconformadas porque seus alunos não compreendem textos e não fazem uso de sílabas complexas. Isso acontece porque o uso restrito das formações canônicas (consoante + vogal) para ler e escrever palavras acaba não dando conta dos demais processos cognitivos que envolvem a alfabetização e o letramento. Inclusive, memorizar as famílias silábicas não desenvolve a consciência silábica – isso porque a criança, na grande maioria das vezes, não é capaz de manipulá-las e compreender sua representação, pensando nas propriedades das palavras, fonologicamente. 

 

Como é possível, então, desenvolver a consciência silábica sem utilizar as famílias silábicas? 

 

Atividades práticas: 

– Contar (com os dedinhos, canetas, massinhas de modelar) as sílabas. Muitas professoras utilizam palmas como recurso; contudo, indicamos algum modo que a criança possa conservar mais facilmente, como os dedos, lápis de cor, bolinhas de massinha de modelar… Desse jeito, garantimos que a criança não se perca na contagem. Veja só essa produção da nossa aluna Nilza Souza. 

– Mostrar que uma mesma sílaba pode estar em diferentes palavras e em diferentes posições, por exemplo, CLArissa – teCLAdo – teCLA. 

– Jogar batalha das sílabas. Trata-se de uma brincadeira onde duas crianças retiram um objeto ou imagem de um saquinho e comparam as palavras – aquela que tiver mais sílabas ganha! 

 

– Subtrair ou adicionar sílabas também é uma boa forma de desenvolver consciência silábica através desta manipulação. Por exemplo: na palavra “teclado” se eu tirar o “do” que palavra fica? É uma palavra que existe? Adicionar também é uma opção. Como ficaria se eu adicionasse a sílaba “ca” no início da palavra “lado”? 

 Para as profes que gostam do lúdico, a trilha silábica é uma ótima opção. A nossa aluna Érika fez uma trilha em papel pardo mesmo. As crianças retiravam palavras (imagens ou objetos) e tinham que caminhar o número de sílabas daquela palavra. 

 

Vamos falar mais sobre isso? Eu te espero dias 26, 27 e 28 de janeiro para iniciar o ano letivo com uma super JORNADA PEDAGÓGICA em ALFABETIZAÇÃO! Será um evento online, gratuito e ao vivo! 

Inscreva-se já e venha planejar conosco o MELHOR ANO LETIVO DA SUA VIDA!  

 

Abraço,
Professora Clarissa Pereira e Camila Oliveira        

(Texto redigido por Camila Oliveira e revisado por Clarissa Pereira) .

6 Comentários


  1. Estou com bastante vontade de assistir essa jornada pedagógica,para enrequercer meuvocabulário como educadora rsrs

    Responder

  2. Acho muito pertinente a forma como a Clarissa ensina, já estou começando a fazer o meu arsenal da alfabetização kkk. Gratidão por tudo.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *