Como fazer para a criança aprender as letras

Tempo de leitura: 6 minutos

Um dos grandes dilemas em relação à alfabetização é o ensino das letras. Para as professoras de Educação Infantil e 1º ano pode parecer muito natural ensiná-las. Mas você já se perguntou como e por quê? Os 4 questionamentos que traremos aqui são de suma importância para você refletir e revisitar as suas práticas acerca do ensino do alfabeto.  Se você se interessa por este assunto, assista a este vídeo e aprenda ainda mais!

 

  1. Por que ensinar as letras? 

Você já se questionou o porquê de ensinar as letras? Pense que as palavras e os textos são como um bolo e as letras são os ingredientes. Sem estes ingredientes, não sai receita. Sendo assim, as letras são importantes de serem ensinadas porque elas são a menor unidade linguística que formam as palavras, pois representam o nosso Sistema de Escrita Alfabética (que será descrito ao fim deste artigo). 

Para aprender a ler e a escrever, é importante que a criança perceba que escrevemos com letras e não com números, símbolos ou desenhos – diferentemente do sistema chinês, por exemplo, onde a escrita representa o significado. No nosso sistema, as letras representam o significante, isto é, notam sons! Imagine que no primeiro ano de alfabetização na China, as crianças precisam memorizar, inicialmente, em torno de 3 mil ideogramas. Aqui, no Brasil, com as nossas 26 letras do alfabeto, é possível escrever qualquer palavra que quisermos.  

Por mais que tenhamos ressaltado aqui a importância do ensino das letras, cabe ressaltar que não é preciso ensinar todas as letras antes de ensinar palavras e, ao longo deste texto, você vai entender porquê! 

 

2. Por que ensinar a ordem do alfabeto? 

Será que uma pessoa já alfabetizada consegue escrever mesmo sem conhecer a ordem alfabética? Sim ou não? 

Sim! Com certeza! Você já deve ter presenciado alunos que sabem ler e escrever, ainda que não saibam a sequência do ABC. 

Então, por que é importante ensinar a ordem alfabética? 

Utilizamos a sequência do ABC em contextos sociais: uso do dicionário, agenda telefônica, classificados, lista de chamada… Em várias situações do nosso cotidiano, as pessoas/objetos estão organizados por ordem alfabética. 

Sendo assim, por mais que a memorização da ordem correta não seja uma habilidade fundamental para a leitura e escrita em siem relação aos contextos sociais, é importante. E a escola, como uma instituição formativa-social, tem a incumbência de ensinar para além da linguística. Outro ponto é que a ordem das letras torna-se um recurso de memorização para aqueles que estão em processo de alfabetização quando buscam” as letras para escreverem palavras: “A-B-C… É O C” – Já ouviu algum aluno usando essa estratégia? 

 

3. Por que ensinar onomes das letras? 

Novamente, o que acontece é semelhante à questão anterior. É possível ler e escrever sem saber os nomes das letras. Contudo, algumas situações sociais, como soletrar um nome e sobrenome, por exemplo, exigem que tenhamos este conhecimento.  

Outro ótimo motivo para este ensino é que a grande maioria dos fonemas não são pronunciáveis. Você já parou para pensar por que as vogais são mais fáceis de serem aprendidas? O nome da letra representa o seu próprio som, além de aparecerem em todas as sílabas das palavras. Já, as consoantes, não. O “B” se chama “BE” e tem um som que é impronunciável isoladamente, sem a companhia de uma vogal ou outra consoante com uma vogal. O desenho da letra e o seu nome materializam algo tão abstrato, que é o fonema. 

Neste artigo, mostramos 17 atividades para ensinar as letras.

4. Qual é a ordem correta de ensinar as letras? 

Essa pergunta é uma das mais recorrentes. Existe ordem certa para apresentar as letras? O correto é seguir a ordem do ABC? Ou começar pelas vogais? 

Não existe receita. Uma boa sugestão é começar pelas mais usadas, conforme forem aparecendo as letras nos nomes dos colegas, nas palavras do banco de palavras, nos textos lidos pelas crianças… Aos poucos, vamos aumentando este repertório e fazendo novas associações. E, como dito anteriormente, letras cujos nomes combinam com seu fonema, são mais fáceis para os alunos (vogais)Mas, cuidado: não faça um trabalho sem contexto e apenas com as vogais iniciais das palavras: vemos vogais no meio e no final das palavras também. Além disso, as vogais acompanham consoantes, por isso, não podemos ensiná-las sempre isoladamente, pois perde o sentido.  

 

Epara finalizar este artigo com chave de ouro, vamos listar as 10 propriedades do SEA, que devem estar consolidadas em crianças que estão alfabetizadas. No nosso Curso de Alfabetização na Prática, temos uma atividade onde nossas alunas colocam a mão na massa e elaboram uma intervenção para desenvolver cada um destes princípios. Clique aqui para saber mais.

 

10 Propriedades do Sistema de Escrita Alfabética, segundo Artur Gomes de Morais (2012): 

1 – Escreve-se com letras, que não podem ser inventadas, que têm um repertório finito e que são diferentes de números e de outros símbolos;

2 – As letras têm formatos fixos e pequenas variações produzem mudanças na identidade das mesmas (p, q, b, d), embora uma letra assuma formatos variados (P, p, P, p);

3 – A ordem das letras dentro das palavras não pode ser mudada;  

4 – Uma letra pode se repetir no interior de uma palavra e em diferentes palavras, ao mesmo tempo em que distintas palavras compartilham as mesmas letras; 

5 – Nem todas as letras podem ocupar qualquer espaço dentro das palavras;

6 – As letras notam ou substituem a pauta sonora das palavras que pronunciamos e nunca levam em conta as características físicas ou funcionais dos referentes que substituem;

7 – As letras notam pautas sonoras menores que sílabas;

8 – As letras têm valores sonoros fixos, apesar de muitas terem mais de um valor sonoro;

9 – Além das letras, usam-se também marcas como acentos, que mudam a tonicidade;

10 – As sílabas variam conforme a posição das letras (consoante + vogal, consoante + consoante + vogal…).

 

Gostou do conteúdo? 

Siga @clarissapereirapedagoga nas redes sociais. Lá, nós postamos conteúdos diários para deixar sua prática mais leve e doce.      

Abraço,
Professora Clarissa Pereira e Camila Oliveira       

(Texto redigido por Camila Oliveira e revisado por Clarissa Pereira).

6 Comentários

  1. Avatar

    Olá, Clarissa boa noite !
    Tudo bem ? Eu sou Valeska , professora da educação infantil e séries iniciais . Sigo vc as redes sociais , e assisto sempre suas lives . Gostaria de tirar uma dúvida com vc , estou alfabetizando uma criança ,ou seja dando aulas particulares para ele .
    Devo começar a ensinar o seu nome em bastão ou na letra curisiva , essa é a minha dúvida inicial ?
    A segunda é : 2 dias na semana para dar as aulas , em apenas 1 hora de relógio , vai dar certo ou fica duro o tempo de aprendizagem da criança , pois ele passou para Alfa esse ano . Ele já conhece as sílabas , já posso começar com as palavras iniciando o processo da consciência fonológica através dos sons , e a escrita juntas pode ser . Aguardo seu retorno , abraços ! 😘🙏

    Responder
  2. Avatar

    Olá!
    Adorei seus comentários sobre o assunto.
    São riquíssimos! Muito obrigada por compartilhar seus saberes.
    Aprender mais é sempre bom.
    Parabéns pelo trabalho!

    Responder
  3. Avatar

    Já adicionei o seu site a tela, para estar s pre lendo.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *