Como ensinar matemática SEM traumas 

Tempo de leitura: 6 minutos

Segundo Ashcraft (2002), a ansiedade matemática assombra muitas crianças, adolescentes e adultos. Trata-se de um sentimento de verdadeiro pavor dos números. Este autor nos afirma que esta sensação é gerada devido uma infinidade de motivos que são, inclusive, citados também por estudos e materiais brasileiros (PNAIC, 2014; SILVA, 2005; SILVEIRA, 2002). Estes motivos seriam um alto número de reprovação nesta disciplina, principalmente durante os Anos Finais e o Ensino Médio e um discurso advindo dos próprios docentes de que a matemática é difícil. Além disso, estes autores enfatizam a baixa formação de professores na área das exatas, principalmente dos Anos Iniciais, fazendo com que o ensino dos números seja apenas pautado nos algoritmos, esquecendo-se de outras habilidades que devem ser desenvolvidas. Esta insegurança toda, muitas vezes, faz com que os professores enfatizem o ensino da linguagem, replicando nos alunos a sensação de que a matemática é um bicho de sete cabeças. 

Então, como combater a ansiedade matemática, tornando-a prazerosa para o professor e para o aluno? 

Eu vou te dar 5 dicas para vencer esse sentimento! 

1 – Seu cérebro é preparado para lidar com números: SIM, você leu corretamente. Por mais que você seja uma dessas pessoas que é tomada pela ansiedade matemática, saiba que o seu cérebro possui áreas predispostas para manipular os números. Existem pesquisas que mostram que até mesmo animais que possuem um sistema nervoso bem mais primitivo do que o nosso, como as galinhas, conseguem distinguir pequenas quantidades. Estudos similares foram feitos com macacos e também com bebês humanos, confirmando que temos a capacidade de realizar um procedimento denominado “subtizing”, que é a habilidade de discriminar pequenas quantidades sem precisar contar uma a uma. Se você se interessa pelos estudos que pesquisam o cérebro, te sugiro a assistir essa live ou ler este artigo, onde falamos sobre funções cognitivas que são ESSENCIAIS para que o seu aluno possa aprender de maneira mais efetiva. 

2 – Invista em um ensino explícito, contextualizado e intencional: aqui temos três palavras importantes para refletirmos: 

  • Ensino explícito: mesmo que tenhamos áreas do nosso cérebro que são predispostas para lidar com os números, precisamos ENSINAR as crianças. Ao contrário do que muita gente pensa, contar e fazer relações entre número e quantidade, NÃO É UM PROCESSO NATURAL. Não é porque os pais contam degraus com os filhos enquanto estão subindo escadas, por exemplo, que a criança se apropriou dos princípios de contagem (leia aqui!). O ensino da matemática deve ser EXPLÍCITO, sem supor que os alunos já saibam isso ou aquilo. Não é porque algo já é óbvio para nós, que é também para eles. Abra o jogo e ensine explicitamente. 
  • Ensino contextualizado: você, adulto, fica fazendo cálculos só por fazer? Provavelmente, não! É possível que você use os números para pesar frutas no mercado, contar quantos pães comprar, verificar se o troco está correto, calcular o horário que deve sair de casa para chegar em tal lugar a tempo. E na sala de aula, por que tantas vezes insistimos em ensinar cálculos soltos? Aqui você pode ler mais sobre letramento matemático. Trata-se de não ensinar matemática com “números jogados ao vento”, mas de trazer situações reais, do cotidiano das crianças, para dentro da sala de aula. Desta forma, acreditamos que a aprendizagem faz muito mais sentido e ganha outro significado para os alunos. 
  • Ensino intencional: muitas pessoas me mandam perguntas sobre “como jogar o jogo tal, como usar o quadro numérico, como usar o material dourado, o ábaco…” e eu sempre digo que esse questionamento deve ser inverso. Não podemos primeiro pensar no recurso ou na folha impressa para daí pensar no objetivo que queremos que as crianças atinjam. PRIMEIRO nós refletimos sobre as metas que devem ser alcançadas e DEPOIS escolhemos a maneira como vamos alcançar tais objetivos; ou seja, primeiramente eu penso “meus alunos precisam aprender adição” (objetivo) e em seguida eu reflito sobre quais procedimentos (metodologia) e recursos didáticos (folhas, jogos, materiais concretos) serão utilizados para que eles aprendam. 

3 – Conheça os procedimentos: quando vamos ensinar as operações, precisamos dominar os procedimentos. Não podemos apenas reproduzir um ensino mecânico e sem sentido, que aprendemos há anos atrás, quando éramos estudantes do Ensino Fundamental. Aquela história de “sobe um, baixa o zero, pede emprestado” está tão automática para nós que, às vezes, acabamos ensinando assim também. CUIDADO! Quando conhecemos os procedimentos, entendemos os PORQUÊS! A matemática não “é assim porque é”. As coisas têm sentido. O “sobre um” tem sentido. O “desce o zero” tem uma razão. O “pede emprestado” tem um motivo. Conhecer os procedimentos é a chave para sair de um ensino mecânico e sem significado. Aproveite e assista essas dicas sobre como trabalhar com material dourado em turmas de alfabetização, como ensinar multiplicação e divisão, e como usar o ábaco. 

4 – Foque no ensino dos problemas matemáticos: quem nos segue há algum tempo, já deve ter me escutado falando “comece pelos problemas!”. Abandonamos a ideia de que os problemas matemáticos servem apenas para sistematizar um conteúdo e nos apegamos no conceito de que os problemas são boas estratégias para INTRODUZIR um novo conceito matemático. Neste vídeo, eu e a professora Clarissa conversamos um pouquinho mais sobre isso. Dá só uma olhadinha! 

5 – Invista em formação: por último, mas nem um pouco menos importante, devemos ressaltar que, para vencer a ansiedade matemática em você e nos seus alunos, precisamos investir em formação. Se você está lendo este artigo e chegou até aqui é porque já está buscando isso! Só através de conhecimento é que seremos capazes de parar de nos sabotar e acreditar que sabemos e podemos ensinar matemática de maneira segura, sem ficar só na “intuição docente”. Nesse sentido, quero te convidar para começar essa formação agora mesmo e assistir uma super aula, sobre 3 passos para ensinar matemática SEM achismos e com MUITA intencionalidade. 

 

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Abraço, 

Professoras Camila e Clarissa 

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