Como ensinar matemática de forma divertida?

Tempo de leitura: 6 minutos

Muita gente por aí pensa que o ensino da matemática é chato e entediante. Professores e alunos têm uma ideia equivocada de que para ensinar e aprender matemática é preciso de muita prática, muitos cálculos, muito lápis e papel, caderno cheio. Em partes, a frase que “matemática é prática” está correta, pois tudo aquilo que exercitamos, tende a ser aprimorado. Contudo, acreditamos que os números e os processos que os envolvem devem ser compreendidos. Abandonamos a ideia de “decoreba”, de mecanização, de memória sem sentido, de processos sem entendimento. 

Isso significa que somos CONTRA as folhas, as atividades impressas? Não! De maneira alguma. Veja bem, não é uma guerra travada entre folhas xerocadas e situações de aprendizagem que não envolvem lápis e papel. Não é 8, nem 80. Precisamos saber que essas tarefas são complementares, uma não exclui a outra. Há uma necessidade do trabalho de compreensão da matemática a partir de momentos que envolvam manipulação de materiais concretos, assim como é essencial que se façam atividades de sistematização dos conhecimentos. 

O que nos posicionamos de maneira contrária é em relação à pedagogia das folhinhas, onde o professor dá uma atividade atrás da outra, indiscriminadamente, sem intervenções, sem intencionalidade. Ainda, por muitas vezes, estas atividades são tiradas do Google, não sendo pensadas ou adaptadas para o contexto e a realidade da sua turma. O docente vira um mero entregador de atividade e o aluno um cumpridor de tarefas. Tenha em mente o protagonismo do aluno e do educador na sala de aula. 

Dito tudo isto, vamos às dicas práticas. Como trabalhar matemática de maneira divertida, sem que haja, necessariamente, o uso do lápis e do papel? 

 

Materiais Concretos 

Não podemos falar em ensino da matemática sem o uso de materiais concretos. Está comprovado cientificamente que enquanto estamos manipulando os números o nosso cérebro tem cinco áreas ativadas. Duas delas são visuais. Isso atesta a necessidade de enxergar os processos que estão sendo pensados e realizados. Por isso, é FUNDAMENTAL que tenhamos materiais concretos disponíveis na nossa sala de aula. Se a sua escola não disponibiliza, peça alguns na lista de materiais. Se esta não é uma possibilidade, confeccione você mesma com os alunos! Muitos materiais podem ser construídos com as crianças e acabam ganhando um significado ainda maios do que os recursos prontos. E não se engane, esta dica não vale apenas para as crianças pequenas. Mesmo os pré-adolescentes, lá do 4º e 5º ano, precisarão fazer uso de alguns recursos concretos que os ajudarão a compreender os conceitos aprendidos naqueles anos escolares, como frações e sistemas de medidas, por exemplo. Atente para as sugestões abaixo: 

Educação Infantil, 1º, 2º e 3º ano – materiais de contagem, material dourado, ábaco, escala cuisenaire, fichas escalonadas, blocos lógicos… 

4º e 5º ano – material dourado, ábaco, escala cuisenairegeoplano, balança, régua, trena, relógio…

Para ideias práticas sobre como utilizar estes materiais, assista aqui. 

 

Jogos 

Os jogos matemáticos também são uma ótima estratégia para ensinar matemática brincando. Aqui vale do mesmo para os materiais concretos: estes jogos podem ser comprados prontos (ou pedidos na lista de materiais) ou confeccionados com as crianças. Todo recurso que for confeccionado pode ser plastificado e guardado com carinho, para que a durabilidade seja maior. Que jogos são estes, então, que podem ser explorados em sala de aula? 

Cartas: baralho comum, Uno; 

Jogos de trilha; 

Jogos de memória (número/quantidade, algarismo/número por extenso, cálculo/resultado, tabuada…); 

Jogos com sistema monetário; 

Dominó (também pode ser modificado o conteúdo, conforme o que estiver sendo trabalhado); 

Tangram; 

Bingo (número/quantidade, algarismo/número por extenso, cálculo/resultado, tabuada…); 

Boliche (soma/multiplicação dos pontos); 

Passatempos (sudoku, estrela/quadrado mágico, raciocínio lógico…). 

 

Explorar situações do cotidiano 

Não é porque estamos sem lápis, papel, materiais concretos ou jogos, que não estamos aprendendo! As situações do cotidiano são ÓTIMAS para que a criança perceba a presença e a funcionalidade dos números no nosso dia a dia. Refletir sobre a composição do número da sua sala, indagar sobre quantos alunos vieram, quantos faltaram, questionar a idade da professora no seu aniversário, comparando com a dos seus familiares… Tudo isso são situações muito simples, que surgem a nível oral, não necessitam de registro, e as crianças aprendem muito! Veja alguns exemplos: 

Quantos vieram?; 

Exploração de sistema monetário para idas à cantina; 

Exploração do relógio (noções de tempo). 

Exploração de calendário (dias, semanas, meses, ano, datas especiais, tempo, ontem, hoje, amanhã…); 

 

Atividade: aluna Rosana D’andrea.

 

Cálculo mental 

Essa prática é considerada retrógrada para alguns. Com o surgimento da calculadora, do computador, da tecnologia na palma da mão, muitas pessoas deixaram o cérebro preguiçoso. Não pensamos mais sobre rotas, colocamos no GPS. Não calculamos números baixos, digitamos na calculadora. Não memorizamos listas de supermercado, escrevemos no whatsapp. Praticar o cálculo mental auxilia no desenvolvimento de funções cognitivas e dá eficiência para que o aluno realize procedimentos mais complexos, como algoritmos extensos, expressões numéricas e frações. Um aluno que não recupera diretamente da memória os fatos básicos ou a tabuada, por exemplo, tende a demorar muito mais em cálculos complexos, muitas vezes, ficando desanimado e até “desistindo” da operação. Aqui cabe uma ressalva: primeiro a compreensão dos processos, para depois memorizar. A memória nunca vem antes da compreensão, pois aí se tornará, novamente, a matemática sem sentido e mecânica que NÃO queremos reproduzir. 

Estes cálculos mentais podem ser trabalhados a partir de jogos com dados, batalha dos números, cartas, números móveis, régua… Tudo bem lúdico, a fim de que não se torne maçante e entediante. 

Quer MAIS ideias? Clique aqui!

 

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Assista à live completa aqui e aprenda a ensinar matemática de forma divertida!

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Abraço,  

Professora Camila Oliveira  

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