Como ensinar a ler?

Tempo de leitura: 5 minutos

Muitas professoras e até mesmo alguns pais têm esta dúvida: como ensinar uma criança a ler? Quais são os passos? O que deve ser feito? Para responder estes questionamentos, queremos convidar você para ler este artigo que responde 4 perguntas bem importantes em relação ao aprendizado da leitura. A partir destas respostas, cremos que você sairá daqui mais confiante a respeito dos conceitos que envolvem esta competência, bem como qual o seu papel de educador para ajudar no desenvolvimento da aquisição da leitura. 

Este artigo foi escrito com base na live “Como ensinar a ler?”, onde disponibilizamos um material gratuito para você baixar aqui.

 

1 – O que é ler? 

Engana-se quem pensa que ler é apenas “juntar letras ou sílabas”. Este é um conceito raso acerca da leitura. Ler é uma atividade tanto cognitiva como social, capaz de nos conectar com o mundo. 

A leitura é uma atividade cognitiva porque envolve uma série de operações mentais, tais como percepção, levantamento de hipóteses, localização de informações, inferência e estabelecimento de relações e comparações (Glossário CEALE). 

Trata-se também de uma atividade social porque envolve interação entre leitor e escritor que estão distantes, mas se comunicam e que tem seus próprios objetivos, expectativas e conhecimentos de mundo. O autor Roger Chartier nos faz refletir sobre este aspecto, pois existe uma mensagem que é transmitida por quem escreve e uma outra por quem lê. Ainda que o texto seja o mesmo, a forma com o indivíduo se relaciona com ele, bem como suas experiências e seu conhecimento de mundo, podem dar outro sentido à leitura. 

 

2 – Qual a diferença entre decodificação, compreensão e fluência leitora? 

São habilidades diferentes, mas que se complementam em relação à leitura.  Para entender melhor este universo, vamos falar sobre cada um destes conceitos e como podemos trabalhar com eles. 

Decodificação – trata-se do reconhecimento de palavras escritas, intimamente ligado com a nossa capacidade de percepção visual e abstração (relação entre grafemas e fonemas). A decodificação precisa ser ensinada, de acordo com as propriedades do Sistema de Escrita Alfabética. Isso pode ser feito através do conhecimento das letras e do trabalho de consciência fonológica (LINK) em todos os seus níveis (rimas, aliterações, silábica e fonêmica). É fundamental criar significado e experiência! Quando falamos em famílias silábicas, por exemplo, pode ser um mero exercício de memorização. A criança conhece as famílias, mas não consegue uni-las através da decodificação. Isso acontece porque decorar não é aprender. Quando decodificamos, duas rotas podem ser usadas, a fonológica e a lexical. A fonológica se dá por meio da conversão de grafema/fonema (usamos quando estamos sendo alfabetizados, para ler palavras novas, pseudolapavras…). Já a lexical é um processo visual direto de acesso à palavra (não precisamos ficar juntando as letras, criamos um repertório na memória). Ambas são usadas na leitura, mas o leitor fluente usa predominantemente a rota lexical. 

Compreensão – é a construção de significados que permite que o leitor faça inferências, relacione informações e acesse o significado do texto. Para trabalhar com a compreensão é necessário motivar leitores, ativar conhecimentos prévios, incentivar perguntas, esclarecer dúvidas sobre o texto e fazer leitura modelo. Os momentos de compreensão acontecem antes, durante e depois da leitura. Assista à esta aula com exemplos práticos de compreensão.

Fluência leitora – é um terceiro componente para a competência leitora e diz respeito à velocidade na leitura. Pesquisas indicam que uma velocidade baixa na leitura pode causar dificuldades na compreensão, mesmo que feita corretamente. Para intervir na fluência, podemos pedir que os alunos deem o feedback a respeito do que foi lido, repitam a frase lida e dividam a leitura. 

 

Qual é o melhor método para ensinar a ler? 

Método DE ALFABETIZAÇÃO é um conjunto de procedimentos que fundamentados em teorias e princípios que orientem a aprendizagem inicial da leitura e da escrita (SOARES, 2016). 

Uma Professora Protagonista não se rende a um único método (aqueles antigos), já que ele não dará conta de ensinar uma turma heterogênea de 20, 30 alunos. A Professora Protagonista estuda, conhece os diferentes métodos e seleciona o conjunto de procedimentos que vai servir para os seus alunos, colocando-os como protagonistas também. Esta professora vai avaliar a sua turma, ver as suas necessidades, estabelecer objetivos e elaborar atividades que os ajudem a avançar nas suas habilidades de leitura. Professoras Protagonistas clicam neste link e estudam o módulo 6, que é todo sobre leitura!

 

O que aprender/ensinar primeiro: ler ou escrever? 

E a resposta é: ambos! Leitura e escrita são indissociáveis, ainda que tenhamos estratégias específicas para trabalhar um ou outro. No momento que consideramos que as crianças aprendem a ler primeiro, desconsideramos a escrita inventada que ela já produz há tempos. Quando consideramos que a criança escreve primeiro, desconsideramos que ela vai juntando sons enquanto grafa as letras para formar palavras. Portanto, leitura e escrita, ainda que sejam processos e habilidades diferentes, aparecem como caminhando de mãos dadas.

 

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Abraço,
Professora Clarissa Pereira e Camila Oliveira   

(Texto redigido por Camila Oliveira e revisado por Clarissa Pereira) 

2 Comentários

  1. Avatar

    Dicas maravilhosas! Conteúdo rico. Professor protagonista é, antes de tudo, pesquisador, eterno aprendiz da arte de aprender. Encantar com a prática pedagógica, se dá, sobretudo, através da formação continuada, na busca de materiais e cursos de excelência como os da professora Clarissa Pereira.

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    1. Avatar

      Olá, Rosa, tudo bem?

      É verdade, professor nunca para de estudar.
      Muito obrigada por nos acompanhar!

      Abraços, Martha #EquipeClarissaPereira

      Responder

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