Como criar jogos educativos no ensino remoto

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Uma das características da professora protagonista é a flexibilidade no planejamento. Ter um plano de aula, com os objetivos e metas a serem atingidos é essencial, mas saber flexibilizá-lo quando necessário também é, especialmente, no momento que estamos vivendo, onde o ensino se dá ora de modo presencial, ora remoto.

Durante o ano de 2020, todas as escolas ainda estavam se adaptando com o ensino remoto. Algumas crianças tinham aula uma hora por dia, outras duas horas, mas apenas 2 ou 3 vezes na semana… Agora, em 2021, muitas instituições resolveram (talvez por pressão dos pais em relação à mensalidade, pois isso aconteceu, principalmente, nas escolas particulares) que as aulas deveriam ocorrer no tempo integral do ensino presencial, ou seja, em torno de 4 horas por dia.

Um período de aula on-line maior também se torna um desafio. Nós, como educadores, acreditamos que a escola não se restringe à aprendizagem formal, mas ao vínculo, às relações sociais, ao convívio coletivo, dentre outras inúmeras aprendizagens informais que acontecem ali, até mesmo em uma situação de lanche ou recreio. Sendo assim, torna-se um desafio abarcar, também no ensino remoto, a conversa, o vínculo e a corporeidade.

Sabemos que aprendizagem e afetividade estão interrelacionadas e são colaborativas entre si. Portanto, hoje, queremos trazer ideias práticas para que você possa levar esses elementos TÃO importantes para a sua sala de aula virtual amanhã mesmo. As crianças, certamente, ficarão muito felizes, pois se animam com o diferente.

Vamos às dicas que a professora Andressa (professora de 3º ano e também uma das idealizadoras do RAP – Recursos e Atividades na Prática) dividiu conosco!

 

1 – Alongamento: comece a aula com um alongamento lúdico. Peça que as crianças imaginem estrelas e tenham que pegá-las com as mãos, lá no céu, por exemplo. Alongue braços, pernas, pescoço, mãos! A professora pode começar, mas nos dias seguintes, cada aluno pode ficar responsável por fazer essa parte da aula, propondo o seu alongamento para os colegas.

2 – Brincadeira de mãos: você conhece brincadeiras de mãos, tipo “Chiclete” ou “Quando o relógio bate”? Mesmo não estando presencialmente, essas e outras brincadeiras com as mãos podem ser feitas através da tela. É bem divertido e também mexe o corpo!

3 – Jogos de enigmas: os jogos envolvendo enigmas são muito interessantes, pois podem ser facilmente realizados durante as aulas síncronas ou via whatsapp. Se você faz vídeos ou realiza aulas ao vivo, a forca é uma ótima opção. Cada aluno pode abrir o microfone e tentar adivinhar uma letra. Se você envia atividades por whats, os próprios emojis podem ser enigmas que formarão palavras ou frases. As crianças adoram esses tipos de adivinhas e são cheios de aprendizagem!

4 – Montar um arquivo de organização: envie, previamente, um material que contenha a rotina das aulas semanais, os materiais que serão necessários e atividades que precisam ser realizadas antes dos encontros (recortar algo, trazer algum material para a aula). Para quem manda lote de atividades isso é muito funcional, a fim de que a criança e as famílias não façam todas as tarefas no mesmo dia.

5 – Use da criatividade:

– Roteiro com mistério: a professora Andressa disse que coloca uma atividade chamada “Aprendizagem secreta”. O relato dela é que as crianças vêm muito curiosas para a aula!

– PPT: utilize o Power Point para potencializar seus recursos, criar jogos, elaborar materiais com animações. O visual faz parte da aprendizagem e chama muito atenção das crianças. Se você considera que deve aprender mais sobre ferramentas tecnológicas, a fim de montar os seus próprios recursos com criatividade, entre para a lista de espera do RAP.

– Baamboozle: essa é uma dica muito boa! Nesse site, você conseguirá criar jogos de perguntas e até criar times para as crianças competirem entre si, mesmo no ensino a distância! SITE

– Dados virtuais: mais dica boa para jogar e se divertir – os dados on-line! Se você procurar por esse nome no Google, encontrará diversos sites que lançam dados para que você possa jogar e desenvolver habilidades aritméticas, além de jogos de trilha, dentre outras intervenções que exijam esse recurso.

– Pesquisa: estimule um aluno pesquisador. Essa tarefa é muito rica e envolve vários processos. Seja pontual e específica em relação ao que deve ser investigado, dê perguntas, encaminhe a atividade. Não ensinamos a pesquisa dando um assunto “solto” e cada um faz como quer. É necessário orientação!

– Apresentação oral: depois da pesquisa feita, pode acontecer uma apresentação oral. Essa é uma excelente prática de oralidade. As crianças podem ensaiar a entonação, postura. Se as aulas forem ao vivo, podem fazer a apresentação para toda turma. Se forem pelo whats, podem gravar um áudio ou vídeo contando seus achados.

– Padlet: já pensou em fazer uma exposição de trabalhos na modalidade on-line? Pois é! Tem como! O padlet é um site que permite que a criança coloque a foto do seu trabalho com uma descrição. Fica uma espécie de mural da turma. Super fácil de fazer! A nossa aluna Rosana, da escola pública de Santos (SP), também usa esse recurso por lá! Sem desculpas!

6 – Construa as aprendizagens: precisa introduzir um conteúdo? Estimule as crianças a pensarem, a chegarem a conclusões, refletirem, criarem regras. Não dê tudo pronto, isso torna a aprendizagem chata e sem sentido. Descobrir é muito mais efetivo! Se você está trabalhando com o conceito de substantivos próprios e comuns, por exemplo, coloque palavras na tela (São Paulo, banana, Clarissa, mesa…) e comece a fazer intervenções orais: o que essas palavras têm de diferente? E semelhante? Se fossemos separar em dois grupos, como vocês separariam?

7 – Chega de desculpas: sabemos que a situação atual não é fácil. Não negamos essa verdade. Contudo, precisamos usar do nosso protagonismo, trocar recursos, adaptar para a nossa realidade. Não podemos usar de desculpas para não fazer ou não dar o nosso melhor. Vamos trabalhar com o que temos, aqui e agora.

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Abraço,
Professora Clarissa Pereira e Camila Oliveira

(Texto redigido por Camila Oliveira e revisado por Clarissa Pereira).

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