Como criar atividades interdisciplinares para turmas de alfabetização 

Tempo de leitura: 4 minutos

Você, professora, pedagoga, provavelmente conhece o trabalho por projetos. Eu mesma, durante minhas experiências como professora do 1º ano, trabalhava muito nessa perspectiva. Em determinada escola que lecionei, os projetos eram escolhidos e votados pelas crianças, partindo do interesse delas. Em outra instituição, o assunto do projeto já era determinado pelo currículo, a fim de ser o mesmo em todas as turmas. 

Uma marca dos projetos é a interdisciplinaridade, ou seja, um estabelecimento de relações comuns entre as disciplinas abordadas. Aqui é importante ressaltar algo fundamental: não é porque estamos dentro de um projeto que vamos “forçar a barra” e querer relacionar tudo com a nossa temática principal (quem nos assiste sabe, já falamos várias vezes do problema matemático da “Nossa Senhora que foi à feira…” só para relacionar matemática e um feriado religioso). Precisamos fazer uso de uma das nossas maiores qualidades como professores: o bom senso! Bom senso é fundamental na hora de planejar atividades e pensar o que é adequado ou não. Quando dá pra relacionar de um jeito bacana, ok, mas se não der, não tem problema! 

Nesse sentido, é também importante salientar que, mesmo dentro de um projeto, algumas atividades permanentes, não relacionadas ao tema principal, podem (e devem!) continuar acontecendo. Ou seja: não tem necessidade da Santa ir à feira. 

Outra dica de ouro é: nosso projeto pode se movimentar, e não ficar dependente de uma única fonte. Isso significa que se eu comecei o projeto baseada em um livro, posso usar outros recursos e ir para outros caminhos, e não ficar presa àquela escolha inicial. Eu, por exemplo, uma vez comecei um projeto sobre alimentação com o “Camilão, o comilão”, obra de Ana Maria Machado. Ao criarmos uma revista de curiosidades, muitas crianças queriam saber sobre hábitos alimentares de outros lugares. Isso nos levou a trabalhar com noções geográficas, utilizando o globo, o planisfério, mostrando distâncias, questionando o uso dos mapas e escalas, bem como entendendo outras culturas. Não saímos da temática principal, mas, de repente, estávamos trabalhando geografia de maneira natural, e sem a presença do Camilão. É o que falamos antes: bom senso e intencionalidade, sem “forçar a barra”. 

Vamos, então, às dicas práticas? Quero mostrar para vocês como eu fiz com algumas atividades deste projeto alimentação (as fotos estão em qualidade baixa porque nós batemos fotos de fotos que foram impressas). As atividades estão tão relacionadas que, às vezes, nem é possível classificar pontualmente qual disciplina está sendo trabalhada. Vejam só: 

  • Criamos um final para a história; 
  • Fizemos um diário para a turma, onde cada um levava o Camilão (um porco de pelúcia) para casa e escrevia como tinha sido; 
  • Trabalhamos com os números da história; 
  • Criamos problemas matemáticos com os animais que foram citados; 
  • Fizemos leitura oral, trabalhamos com entonação, postura; 
  • Fizemos gráficos dos alimentos prediletos; 
  • Estudamos “como a comida passa pelo nosso corpo”; 
  • Criamos uma revista de curiosidades; 
  • A partir destas curiosidades, trabalhamos com o globo terrestre, o planisfério, e falamos sobre diferentes hábitos e culturas alimentares; 
  • Trocamos cartas com uma turma de outra escola; 
  • Fizemos atividades de consciência da palavra, silábica e fonêmica; 
  • Utilizamos rótulos de alimentos trazidos de casa… 

E, no meio de tudo isso, mantemos atividades permanentes não relacionadas ao projeto e ainda trabalhamos com um feriado. Olha só algumas fotos… 

Final coletivo feito em papel pardo. 

Atividade com os números da história. 

 

Hipótese criada pelos alunos, em dupla, sobre como a comida passa pelo nosso corpo. 

Gráfico feito em papel pardo (cada aluno ganhou uma fichinha em branco e tinha que pintar conforme a legenda e, depois, colar no lugar certo). 

Ensinei no quadro como eles deveriam se organizar no caderno. 

 

E eles reproduziram lindamente! 

Uma das curiosidades era sobre o sorvete. Eles pesquisavam de tema e na aula nós escrevíamos na Revista das Curiosidades e explorávamos o mapa mundi. 

 

Trabalhamos com a consciência das palavras e eles escreveram o que mais tinham gostado durante o projeto. 

 

Seguimos nossas atividades permanentes, não relacionadas ao projeto, como este jogo matemático. 

E trabalhamos com a Independência do Brasil, de uma maneira que as crianças de 6 anos pudessem compreender o significado. 

Para saber mais atividades, assista ao vídeo clicando aqui!

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Abraço, 

Camila Oliveira 

 

4 Comentários

  1. Avatar

    Parabéns pelo trabalho, amei a primeira live com a Daiane, a professora protagonista e esses conteúdos a cima, são encantadores 😍😍😍😘😘😘mande esses materiaispara o meu email

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  2. Avatar

    Estou muito feliz por faze parte desse trabalho de professores.

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