Como começar a dar aulas particulares

Tempo de leitura: 9 minutos

Professor AMA o que faz! Normalmente, o professor escolheu essa profissão porque acredita na educação, acredita na transformação, acredita nas pessoas. Escolhemos esta profissão porque é nobre, porque fazemos parte da vida de alguém, porque marcamos a trajetória das pessoas. Amamos ser professores porque o nosso olho brilha junto ao do aluno que aprendeu a ler, a escrever, que venceu um desafio durante o seu percurso de aprendizagem. Mas, nem tudo são flores… 

Enfrentamos desafios na nossa profissão, que fazem parte da realidade da educação no Brasil: falta de recursos, valorização e baixa remuneração. Muitos professores recorrem a outras fontes de renda para complementar o seu salário (já fizemos esta pergunta nas nossas redes sociais e muitos disseram vender cosméticos, fazer doces e outros artesanatos). Mas e explorar a sua própria profissão para aumentar a sua renda, já passou pela sua cabeça? Atuar como uma professora particular, já esteve nos seus planos? 

É pensando em te ajudar a melhorar a sua remuneração mensal, que estamos escrevendo este artigo! Queremos tirar as suas dúvidas e te motivar a empreender na educação. Escrevemos em forma de entrevista, considerando os questionamentos que mais chegam para nós a respeito desta temática. 

 

Como começar a atender? Como ter meus primeiros alunos? 

Para começar a atender, é preciso que as pessoas tenham conhecimento que você está fazendo este tipo de trabalho. Por isso, um primeiro passo, é avisar aos seus amigos e familiares que vais iniciar a carreira de professora autônoma. Depois disso, podes usar as suas redes sociais para que mais pessoas possam recorrer ao seu trabalho. Outra opção é confeccionar cartões de visita e distribuir em caixinhas de correio de condomínios aos redores e escolas. Nas instituições escolares, você pode levar o seu currículo, marcar de conversar com a coordenação e explicar o tipo de trabalho que você realiza. 

Como acontecem mais indicações? 

Depois de começar com o primeiro aluno, os demais começam a surgir, se você fizer um bom trabalho. As mães se conversam e as escolas também começam a indicar o seu trabalho, caso notem que você é uma boa profissional (e notarão!). Logo, logo, a agenda fica cheia! E, claro, não deixe de usar o marketing digital a seu favor. Assista uma aula em que minha equipe fez sobre estratégias de marketing para educadores. 

Preciso abrir mão do meu emprego como professora? 

Não! Quando começamos os atendimentos particulares, nós também atuávamos em sala de aula, como professoras regentes. Você pode continuar trabalhando, normalmente, e escolher outro turno para se dedicar aos atendimentos. Como este é um trabalho autônomo, você não precisa abrir mão da sua carteira assinada ou do seu concurso até que queira ou que se sinta segura para isso. 

Quando uma família entra em contato comigo, o que eu faço? 

Atenda ao chamado! Marque sempre de conversar com os responsáveis antes de o atendimento iniciar. Dialogue, entenda como aquela pessoa chegou até você e porque buscou o seu serviço. Procure saber sobre o aluno. Conte um pouco sobre o tipo do trabalho que você faz, onde você atende, qual a sua proposta, quais são seus custos. Temos um material que pode te orientar durante este primeiro contato, você pode baixá-lo aqui. Este também é o momento de apresentar uma espécie de contrato, que a família assina. Não é um contrato formalizado em cartório, mas explica sobre o atendimento, sobre os processos de cancelamento, pagamento… 

Se a família cancela o atendimento, eu cobro mesmo assim? 

Nós não costumamos cobrar por algo que não foi feito. Isso pode estar no contrato! As famílias devem cancelar com 24h de antecedência ou serão taxadas… Deixe tudo claro para que eles estejam cientes! 

Devo atender na minha casa, na casa do aluno ou abrir um espaço? 

Há muitas questões para serem consideradas aqui. Nós sempre atendemos na casa dos alunos, a fim de auxiliar na organização de um espaço de estudos, entender a dinâmica da família e nos aproximar da realidade da criança. Muitos pais preferem esta opção, porque aí não precisam se envolver com o “buscar e levar”. Algumas famílias nem estão em casa durante os atendimentos, apenas uma pessoa que costuma cuidar da criança enquanto os pais trabalham (nunca atenda uma criança que fica sozinha em casa, pois isso pode se tornar um problema!). Se atender à domicílio for a sua opção, considere o deslocamento, a gasolina, o tempo gasto no trânsito entre os atendimentos. 

Conhecemos professoras que atendem nas suas próprias casas ou que abriram seu espaço. Perde-se a riqueza de conhecer o “mundo da família”, mas, por outro lado, ganha-se tempo e poupa-se no deslocamento. Ainda, se decidir abrir um espaço, existe mais capital envolvido: manter o aluguel, adquirir os móveis, adequar o lugar… Todas estas opções podem ser consideradas e devem ser calculadas na hora de pensar sobre o valor que será cobrado. 

Que materiais preciso ter? 

Os materiais não são grandes mistérios. Se você é professor, sabe exatamente o que precisa ter. Um bom estojo, equipado com lápis, borracha, apontador, tesoura, cola, canetas coloridas e uma pasta com algumas folhas brancas, pautadas, e colorset. Esse seria um material básico. Depois, conforme as necessidades do aluno, você terá que ter planejado as aulas para levar atividades específicas, livros de literatura, jogos, e talvez algum recurso visual. O MAIOR e MELHOR recurso é VOCÊ mesma, suas perguntas, suas boas intervenções! 

Qual a diferença de apoio pedagógico e psicopedagogia? 

O professor particular pode atender em forma de reforço escolar, apoio pedagógico, tutoria pedagógica ou aulas particulares (cada região chama de um jeito). Nós temos a função de auxiliar a criança a organizar uma rotina de estudos, um ambiente propício para realizar as lições, tirar dúvidas de questões escolares, reforçar conteúdos e estudar para provas. Já o profissional que faz um atendimento psicopedagógico, precisa ter uma formação nesta área e pode exercer realizando diagnósticos de dificuldades, bem como propondo intervenções. Nada impede que uma criança tenha estes dois atendimentos, simultaneamente, pois são áreas de atuação distintas, mas que se complementam. 

O que eu faço no primeiro dia de atendimento? 

Nos primeiros dias, criamos vínculo, “desligamos” da escola, através de atividades lúdicas, onde podemos conhecer um ao outro. Também é importante realizar atividades diagnósticas para sondar “onde está” o nosso aluno em termos de aprendizagem. Tem dois vídeos da Professora Clarissa sobre primeiro dia de aula particular. Acesse nessa playlist. Para baixar uma tabela de acompanhamento de avaliação diagnóstica, clique aqui.  

O que eu devo ensinar? 

Você precisará estar atenta às demandas da criança. A conversa inicial com os pais pode te dar um norte de por onde começar, quais habilidades você investirá mais. Aos poucos, você irá conhecendo o aluno e, se tiver necessidade, poderá até mesmo ir à escola (com autorização prévia da família) para conversar com os professores e conseguir pensar em estratégias bem pontuais. Essas reuniões podem incluir outros profissionais que atendam a criança (fonoaudiólogos, psicólogos…). Se você se sente insegura, baixe essa tabela que pode te orientar durante a reunião. Se você quer se sentir mais segura para trabalhar com as habilidades de leitura, escrita, oralidade e análise linguística, clique aqui e aqui. Se o seu interesse for sentir toda essa segurança também para trabalhar habilidades matemáticas, clique aqui. 

Quantas vezes por semana eu atendo um aluno? 

Depende da necessidade dele. Os atendimentos podem acontecer uma, duas ou até três vezes por semana. Nunca tivemos a experiência de atender numa frequência maior do que estaÉ necessário que ajudemos os nossos alunos a terem autonomia para realizar as tarefas sem a nossa presença também. A ideia não é que a criança se torne dependente do nosso trabalho, mas que ela chegue ao ponto de “ganhar alta”. Não tenha medo. Novos alunos aparecem o tempo todo! 

Quanto tempo leva uma aula? 

As aulas possuem duração de 45 minutos a 1 hora. Isso pode ser mudado. Pense sempre nas necessidades da criança e no seu desenvolvimento. Uma hora com um adolescente pode parecer até pouco, enquanto que, para uma criança de 6 anos é bastante tempo. Lembre-se que, além do seu atendimento, eles ainda têm 4 horas de aula na escola. 

Quanto posso cobrar pelo meu atendimento? Como é feito o pagamento? 

Essa pergunta é muito relativa. Você precisa considerar vários aspectos: qual é a sua formação, que serviço você irá oferecer, quem é o seu público, como você irá se deslocar, qual é a média de preço da sua região… Conhecemos profissionais que cobram de 50 a 250 reais em uma mesma cidade. Uma, porém, atende em casa, alunos de escolas públicas. Outra, atende à domicílio, possui doutorado e acompanha apenas crianças de escolas de classe A. 

O pagamento pode ser feito por transferência bancária, depósito, dinheiro em mãos ou ainda, máquina de cartão (nunca fizemos isso, mas há a possibilidade) e você pode providenciar um recibo. 

 

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Abraço, 

Professoras Clarissa e Camila 

PLAYLIST SOBRE AULAS PARTICULARES: 

https://www.youtube.com/playlist?list=PLpogTcRltf-QxOtJ41m00iBz27Ox0o-s2 

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