Como alfabetizar?

Tempo de leitura: 6 minutos

Primeiros passos para alfabetizar seus alunos 

Início do ano, março, e MUITOS professores ansiosos para alfabetizar os seus alunos. Então, hoje, eu quero te ajudar a baixar esta ansiedade. Vamos conversar um pouquinho sobre alguns princípios e também dar ideias PRÁTICAS! 

Qual é a idade certa para alfabetizar? 

O primeiro aspecto que quero conversar com vocês é sobre a IDADE CERTA PARA ALFABETIZAR. Por vezes, recebo essa pergunta nas minhas redes sociais, principalmente por parte de professoras da Educação Infantil. Primeiro: tiramos da cabeça a ideia de que a Educação Infantil é uma preparação para o 1º ano (o famoso pré!). Esta fase do desenvolvimento tem suas metas e objetivos próprios. Segundo a nossa musa da alfabetização, Magda Soares (2016), alfabetizar é um processo sem data! Começa desde tenra idade, até o fim da vida, quando ainda estamos nos apropriando de questões ortográficas. 

Na Educação Infantil, precisamos respeitar a infância, o tempo da criança, a sua necessidade de desenvolver a corporeidade. Atrelado a isso, trabalharemos de maneira lúdica com consciência fonológica, rimas, aliterações, parlendas, cantigas, narrativas, compreensão leitora, reconto de histórias… 

E por onde começar a ensinar a ler e escrever? 

É importante oferecer estímulos. Neste sentido, um ambiente alfabetizador (clique aqui para saber mais), com um cantinho da leitura, fichas e cartazes, pode auxiliar muito. As listas de palavras (banco de palavras) também é um eficiente recurso. 

(Banco de Palavras produzido pela nossa aluna Daiane Garcia, juntamente com seus alunos).

Para formar bons leitores, é essencial que as crianças escutem uma leitura de referência. Por isso, oportunizar momentos de leitura modelo (quando a professora lê para seus alunos) ou solicitar momentos de leitura com a família são estratégias muito eficientes. Se isso acontecer, as crianças podem até fazer o reconto da história para a turma. Mesmo assim, as crianças devem ter também momentos de leitura individuais. 

Saber porquê se escreve e qual a funcionalidade da escrita é algo muito importante para o sucesso da aprendizagem mas, além disso, o ensino sistemático do alfabeto também é parte deste processo (leia dicas preciosas aqui). 

Ainda, é relevante considerar o desenvolvimento cognitivo do nosso aluno: suas questões motoras, mnemônicas, de percepção visual… Tudo isso pode interferir na aquisição da leitura e da escrita. Podemos fazer intervenções pedagógicas para ajudar nossos alunos nessas habilidades (veja esta live da professora Camila com dicas práticas). 

11 dicas práticas para os primeiros momentos com turmas de alfabetização: 

1 – Acolher as crianças: identificar-se com elas, fazer com que a turma tenha o sentimento de pertencimento, fazer jogos, dinâmicas. 

2 – Rotina diária: são palavras estáveis que já podemos fazer intervenções de leitura. O ajudante pode ir marcando o que já foi feito. Esta rotina não precisa ser copiada no caderno. Pense sempre: por que alunos não alfabéticos precisam copiar rotina? Qual o objetivo de serem copistas por tanto tempo do dia? Será que existe reflexão? Caso seja obrigatório na sua escola, explique sua intencionalidade para a supervisora. A rotina vai continuar existindo, mas apenas na lousa, em um papel pardo ou em um “banner”. Em alguns momentos, você pode entregar digitado para os alunos e eles escrevem uma ou duas palavras coletivamente, aproveitando para refletir linguisticamente. Isso é bem diferente de ser copista! 

3 – Trabalho com nomes próprios: o trabalho com os nomes próprios é de SUMA importância durante o primeiro ano, já que os nomes são as primeiras referências de palavras que as crianças têm. 

E por que essa estratégia é tão relevante? 

* Apropriar-se da escrita do seu nome;
* Ampliar o repertório de letras;
* Identificar e grafar o nome dos colegas;
* Mostrar interesse pela leitura e pela escrita;
* Copiar;
* Comparar os sons e os grafemas;
* Refletir sobre a escrita;
* Utilizar-se de modelos para escrita de novas palavras. 

Como podemos trabalhar com nomes próprios? 

* Bingo de nomes;
* Identificação de materiais pessoais (cadernos, lápis…);
* Formação de grupos (fichas com nomes em cima das mesas e cada um procura o seu);
* Produção de agenda telefônica;
* Quadros com os aniversariantes;
* Rodas de chamada;
* Trabalho com fotos dos colegas, fazendo a relação com os nomes;
* Recorte letras de jornais e revistas, montando os nomes;
* Contagem de número de letras;
* Associação letras iniciais dos nomes com letras iniciais de outros objetos (Ex: Marina / Mesa);
* Todas as atividades de alfabetização que costumamos fazer com outras palavras, podem ser adaptadas para serem usadas com os nomes próprios da turma. 

(Atividade produzida pela nossa aluna Márcia, juntamente com seus alunos).

4 – Use fotos dos alunos: se a escola não disponibiliza, você pode bater fotos no estilo 3×4. Essas fotos podem ser utilizadas em atividades e jogos. 

5 – Comparar os nomes: utilizar o nome das crianças para brincar com rimas, palavras dentro de palavras (por exemplo: Martina, que palavra tem aqui?), dentre outras. 

6 – Alfabeto: análise do alfabeto, sequência, manipulação do alfabeto de bolso. Nesta foto, por exemplo, a nossa aluna, Professora Carol Feijó, fez intervenção com os seus alunos, colocando dentro dos bolsos os objetos que iniciam com aquela letra. 

(Alfabeto de Bolso produzido pela nossa aluna Carol Feijó).

7 – Consciência fonológica: consciência fonológica não se resume a ficar segmentando e repetindo palavras – não é sinônimo de método fônico. Abrange muitas outras habilidades que não são restritas à repetição de fonemas, mas que envolvem a manipulação de várias unidades linguísticas. Pode ser trabalhada a partir de jogos, textos, parlendas, rimas… Para ler mais sobre esta habilidade, clique aqui. Se você se interessa em ler uma entrevista minha com o Artur Gomes de Morais, onde ele fala sobre consciência fonológica, acesse aqui

8 – Trabalhos em grupo: os grupos podem ser separados intencionalmente, ora por níveis de escrita ou de leitura, ora misturando estes níveis, sempre pensando nas intervenções a serem feitas. Se você quiser saber mais sobre diferenciação de níveis de escrita, assista a esta live que fiz com a Professora Dra. Luciana Piccoli.

9 – Fazer avaliações diagnósticas: as avaliações não devem servir apenas para documentar o desempenho dos alunos. Elas servem, principalmente, para pensar em intervenções para ajudar os nossos alunos a atingirem as metas e objetivos traçados para aquele ano escolar. Se quiser ler mais sobre este assunto, acesse aqui.

10 – Planejamento: é fundamental! Onde eu quero que os meus alunos cheguem? Quais metas e objetivos quero que eles atinjam? A partir destas perguntas, pensamos no nosso plenejamento!  

11 – Seja uma professora PROTAGONISTA!  

 

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Abraço, 

Clarissa e Camila 

 

9 Comentários

  1. Avatar

    Que conteúdo riquíssimo.
    Estou me organizando. Serei uma aluna CAP

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  2. Avatar

    Gostei muito das dicas para alfabetizar as crianças, bastante interessante e criativas, muito bom mesmo 😊

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