Atividades de Consciência Fonológica na Alfabetização

Tempo de leitura: 8 minutos

O que você vê na imagem abaixo?  

Pense por uns minutinhos sobre as características da imagem, o que tem nela, o que representa para você.  

Eu vejo uma maçã, que é uma fruta, em cima de livros. Eu gosto de maçã, especialmente as mais suculentas. A maçã está em cima dos livros. Por que será que essa maçã foi parar aí? Alguém deu para a professora? Isso ainda existe? Pensamento fica igual ao do personagem BOB, aquele desenho do Fantástico mundo de BOB, sabe? Amava! 

 

Agora, diga para mim, em algum momento, você pensou: 

  • Posso falar/escrever “A maçã está em cima dos livros” ou “Em cima dos livros está a maçã” porque as duas formas estão corretas e expressam o mesmo sentido.  
  • Tem 5 palavras nesta imagem. 
  • Maçã tem 4 letras. 
  • Livro tem 5 letras. 
  • Lousa tem duas sílabas. 

 

Se você fez este exercício intencional de pensar nas unidades linguísticas (o que realmente acho que não aconteceu, porque não fazemos isso no dia-a-dia), estava colocando em prática o conceito que quero te trazer: consciência metalinguística, que é a capacidade de tornar a língua como objeto de reflexão e análise, dissociando-a de seu uso habitual como meio de interação. É reflexão, análise, controle intencional de atividades linguísticas que, no uso cotidiano da língua, realizam-se de forma automática e sem consciência dos processos nelas envolvidos (SOARES, 2016). 

“Praticar uma conduta metalinguística é, portanto, refletir sobre a linguagem. Essa reflexão pode se vincular a diferentes dimensões da língua: seus sons, suas palavras ou partes destas, as formas sintáticas usadas nos textos que construímos, as características e propriedades dos textos orais e escritos” (MORAIS, 2019, p.41). 

Dentro do guarda-chuva da consciência metalinguística, encontram-se diferentes “consciências”. Uma delas, que é importantíssima para o sucesso da aprendizagem da leitura e da escrita, é a CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA (CF): “conjunto de habilidades que permite à criança compreender e manipular unidades sonoras da língua, conseguindo segmentar unidades maiores em menores.” (PICCOLI, CAMINI, 2012).  

Antes de dar dicas sobre como trabalhar com a CF, destaco minha posição a respeito de algumas discussões teóricas: 

  1. CF não é sinônimo de método de alfabetização.  
  2. CF auxilia na aprendizagem da leitura e da escrita, mas não é suficiente e única responsável pelo sucesso no processo. O professor Artur Gomes de Morais falou sobre isso claramente em uma entrevista para mim. ASSISTA AQUI ao vídeo ou LEIA AQUI o artigo.  
  3. Considerar a CF na alfabetização não se restringe a propor exercícios de sons das letras (fonemas), especialmente, segmentação.  

 

Muitos autores que pesquisam sobre Consciência Fonológica a classificam em diferentes níveis. O que todos estes estudiosos concordam é que a consciência das sílabas, das rimas e aliterações e dos fonemas, estão envolvidas neste “guarda-chuva” maior. Ainda concluem que estas habilidades possuem uma hierarquia para ser trabalhada, que respeita a mesma sequência já citada. A habilidade de consciência fonêmica é a mais complexa, pois é a manipulação da menor unidade sonora da língua e, sendo assim, é a última a ser desenvolvida pela criança. Portanto, torna-se incoerente começar o ensino da CF pela relação entre fonemas e grafemas.  

 

Em seu livro “Consciência Fonológica na Educação Infantil e no Ciclo de Alfabetização”, Artur Gomes de Morais acompanha algumas salas de aula onde as professoras seguem métodos específicos e lista uma série de habilidades que se mostraram fundamentais para que as crianças conseguissem se alfabetizar.  

 

Atenção a elas: 

 

Consciência Silábica 

  • Separar palavras em suas sílabas orais; 
  • Contar as sílabas orais; 
  • Identificar entre duas palavras qual tem o maior número de sílabas; 
  • Produzir (dizer) uma palavra maior do que outra (sílabas); 
  • Identificar palavras que comecem com a mesma sílaba; 
  • Produzir (dizer) palavras que comecem com a mesma sílaba de outra. 

 

Consciência de Rimas e Aliterações 

  • Identificar palavras que rimem; 
  • Produzir (dizer) uma palavra que rima com a outra. 

 

Consciência Fonêmica

  • Identificar palavras que comecem com um mesmo fonema; 
  • Produzir (dizer) uma palavra que começa com o mesmo fonema de outra. 

 

Note algo bem importante: primeiro a criança IDENTIFICA, para depois produzir por ela mesma.  

 

Já falamos que a Consciência Fonológica é composta por alguns níveis, sendo eles consciência silábica, de rimas e aliterações e fonêmicaAgora, então, queremos te dar dicas PRÁTICAS que irão desenvolver todos estes níveis. 

 

Consciência Silábica 

  • Roleta das sílabas: fácil de produzir, basta um papelão e uma bailarina (ou colchete). Você escreve sílabas ao redor desta roleta. A dinâmica do jogo pode ser variada. As crianças rodam e precisam dizer palavras que comecem (ou terminam!) com a sílaba que foi sorteada. 

Foto: Sirlei Cunha, aluna dos cursos Clarissa Pereira..

  • Bingo das sílabas: as crianças ganham cartelas com desenhos. As palavras podem estar escritas (faltando a sílaba) ou não (isso você pode escolher, de acordo com o nível dos seus alunos. A professora sorteia uma sílaba (ou roda na roleta do jogo acima), e quem tiver uma palavra faltando aquele pedacinho na sua cartela, marca um ponto. Assim acontece até fechar o bingo! 

Foto: Sirlei Cunha, aluna dos cursos Clarissa Pereira.

  • Trilha silábica: trata-se de uma trilha gigante, que pode ser feita de papel pardo. Em um saco a professora coloca vários objetos. Cada criança puxa um objeto e caminha o número de vezes referente ao número de sílabas. Por exemplo, se ela tirou um “apontador”, andará 4 casas. Assim o jogo acontece, até que se chegue ao fim da trilha. 

Vídeo: Carol Feijó, aluna dos cursos Clarissa Pereira.

  • Sistematização: para trabalhar com questões de consciência fonológica a oralidade é indispensável, contudo, o registro também é importante. A Professora Clarissa realizou uma LIVE com a aluna dos seus cursos, Carol Feijó, onde elas mostram vários exemplos de sistematizações que podem ser feitas para desenvolver a habilidade de consciência silábica. Em uma delas, as crianças precisam pintar o número de pedacinhos que o desenho tem. No caso, o livro que a professora Carol estava trabalhando era “O Grúfalo”, então, quando aparecia o desenho deste personagem, os alunos tinham que pintar 3 espaços (Grú-fa-lo). Para baixar estes exemplos de atividade, clique aqui. 

 

Rimas e Aliterações 

  • Trinca mágica: é um jogo no estilo baralho. O objetivo é formar trincas com palavras que rimam, por exemplo, “caneca”, “boneca” e “peteca”; 
  • Cantigas, parlendas, poesias: estes textos são ricos em rimas e aliterações, por isso, são muito potentes para trabalhar com essas habilidades; 
  • Livros: Não confunda (Eva Furnari), Você troca? (Eva Furnari), Palavras, muitas palavras (Ruth Rocha), dentre outros que possuem textos que brincam com as palavras através das rimas e das aliterações; 

 

Consciência fonêmica 

  • Enigma: combinamos com as crianças que cada desenho vai remeter à sua letra inicial (o desenho estrela, será a letra “E”, maçã, será a letra “M”…) e aí as crianças vão montando novas palavras; 

Fotos: Carol Feijó, aluna dos cursos Clarissa Pereira.

  • Trocar uma letra: podemos brincar com as crianças de trocar uma letra de uma palavra e “ver como é que vai ficar”. Essa estratégia é bem bacana para brincar com o nome das crianças, pois são palavras bem estáveis para a turma. Então, por exemplo, como ficaria o nome da Professora Clarissa se ela tirasse o “C”? E se no lugar do “C”, colocássemos o “P”? 
  • Desenho e marcar que letra começa: outra opção ainda bem bacana de jogo (ou transformar em atividade de sistematização), é fazer cartinhas com um desenho e três opções de letra, tendo o aluno que dizer com qual letra a palavra começa. 

 

E quando trabalhar com cada uma destas habilidades? Datar o tempo de desenvolver cada uma destas consciências pode ser um problema, pois cada turma possui suas especificidades e necessidades próprias. O que podemos afirmar é que a Consciência Fonológica deve ser trabalhada desde a Educação Infantil através da ludicidade, brincadeiras com cantigas, parlendas, músicas populares. As atividades de identificação podem ser realizadas com as crianças menores, já as de produção, podem ser feitas com as maiores. Mas nada é fixo! Você, professora protagonista, precisa traçar as metas para a turma a partir dos currículos escolares e dos diagnósticos avaliativos de seus alunos. Para saber mais sobre planejamento para a alfabetização, clique aqui.

 

Se você quiser saber mais sobre as outras consciências que estão no guarda-chuva metalinguístico, deixa um comentário, aí farei uma AULA AO VIVO e um novo artigo sobre isso.

 

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Abraço, 

Professoras Clarissa e Camila. 

2 Comentários

  1. Avatar

    Boa noite ,obrigada pela compreensão e preocupação com os professores nesse momento tão difícil!
    Saibam que os conteúdos e orientações da Clarissa e da Camila nos auxiliam muito .
    Ainda não estou com condições de fazer os cursos fechados ,mas tenho participado das lives e assisto aos vídeos ,aprendo muito.
    Que proteja e abençoe a vocês e a equipe da Clarissa .
    Um abraço ,Jucilene.

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    1. Avatar

      Olá, Jucilene, tudo bem?

      Que alegria receber a sua mensagem e saber que nossos conteúdos estão fazendo a diferença nesse momento tão difícil.
      Conte conosco!

      Abraços, Martha #EquipeClarissaPereira

      Responder

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