4 mitos sobre os problemas matemáticos

Tempo de leitura: 5 minutos

Quem de nós nunca teve, ou tem, um aluno que realiza muito bem os cálculos, mas possui uma dificuldade tremenda quando se depara com problemas matemáticos? Essa é uma realidade frequente, que costuma acontecer muito corriqueiramente porque a resolução de histórias matemáticas envolve muitos processos cognitivos: é necessária a leitura, compreensão, organização dos dados, escolha de uma melhor estratégia de resolução, realização do seu plano e verificação do resultado; além de todos os outros processos motores visuais e atencionais que são demandados. 

Vamos admitir: os problemas matemáticos não são destaque da sala de aula de ninguém. Provavelmente, você não gasta um grande tempo pensando sobre eles, planejando, refletindo sobre como vai fazer boas intervenções que envolvam esta estratégia. Normalmente, pensamos no cálculo que queremos explorar (adição, subtração, multiplicação ou divisão), escolhemos dois números aleatórios e colocamos em uma situação já bem batida, como coleção de selos (que eles nem sabem o que é), figurinhas e doces em festas de aniversário. 

Hoje, nós queremos quebrar com QUATRO MITOS sobre o trabalho com problemas matemáticos, baseadas em uma live que fizemos juntas. Esperamos que, depois desta leitura, você possa refletir como tem colocado em prática esta estratégia de ensino da matemática, repensando sobre a sua didática. 

 

Vamos aos mitos! 

 

1 – Problemas matemáticos devem ser realizados para sistematizar um conteúdo: normalmente, esta é a ordem das coisas – apresentamos o algoritmo, “treinamos” bastante as “continhas” no quadro e, depois de bem consolidado o cálculo, partimos para os problemas. Queremos te desafiar a fazer o caminho inverso – primeiro você propõe o problema, deixa que a turma crie hipóteses, fervam a mente tentando encontrar soluções, mostrem como encontraram resultados e façam registros desse processo. Este registro pode ser com desenhos, escritas e com os próprios números. É só aí, então, que faremos uma intervenção, mostrando um “outro jeito” de ser feito, através de um cálculo armado. Isto pode ser feito com qualquer conteúdo matemático. Deixe que as crianças façam uma “ginástica cerebral” e exercitem a sua habilidade de flexibilidade cognitiva. Aqui, neste artigo, nós falamos sobre outras formas de desenvolver esta função cognitiva LINK. 

 

2 – Problemas matemáticos não podem ser realizados com crianças pequenas: muita gente pensa que, porque algumas crianças ainda não leem, elas são incapazes de resolver situações matemáticas. Mas, alguém disse que os problemas devem estar escritos? Esta é uma regra? NÃO! Alunos pequenos podem (e devem!) realizar problemas desde a Educação Infantil. Estes problemas podem ser apresentados oralmente, principalmente em situações simples do cotidiano, como quantos alunos somos, quantos vieram, quantos faltaram, como podemos distribuir o lanche e até dividir o bolo de um aniversário. Novamente, evite dar respostas prontas! Libere as crianças para pensarem com autonomia. Faça de um momento simples e corriqueiro, uma situação rica de aprendizagem! 

 

3 – Para resolver problemas matemáticos nós ensinamos palavras-chave: quem nunca ensinou que “toda vez que lermos a palavra ‘diferença’ iremos resolver com um cálculo de subtração”? Fuja disso! Quando damos um banco de palavras-chave para as crianças resolverem as histórias matemáticas, deixamos esta atividade completamente mecânica e sem sentido. Torna-se nada menos do que um caça-palavras, onde a criança faz uma leitura dinâmica, procurando dois números e “aplicando” o cálculo da palavra que encontrou. Muitas vezes, fazemos isso bem intencionadas, e imprimimos até uma “colinha” destas palavras para que a criança possa consultar no caderno. Abandonamos esta prática hoje! Em primeiro lugar, porque NEM SEMPRE uma certa palavra vai indicar um cálculo específico. Se isso acontece com você, está na hora de repensar os tipos de problema que você anda fazendo. Em segundo lugar, porque queremos estimular os nossos alunos a compreenderem os processos que realizam, e não apenas aplicarem uma técnica automatizada, baseada na “decoreba”. 

 

4 – Investir no ensino e na prática de cálculos é mais eficiente do que perder tempo com problemas: tem muita gente por aí que diz que “matemática é prática”. Nós concordamos, em partes. Em partes, porque acreditamos também que a matemática envolve compreensão de processos. Pense conosco agora: você fica fazendo cálculos soltos na sua vida, só por lazer? É provável que não. Você realiza cálculos dentro de contextos: para contar um troco, para saber quando pode gastar no mercado, para saber se o sapato vai entrar, para fazer uma receita… Os problemas são eficientes, principalmente antes de um ensino sistemático dos algoritmos, porque eles contextualizam os números. Torna-se muito mais fácil, compreensível e com sentido, eu propor uma história matemática para que a criança encontre uma solução, do que simplesmente vários números soltos em uma folha. Isso significa que somos contra a realização de contas armadas. CLARO QUE NÃO! Elas devem ser feitas (lembrem, esta é a parte que concordamos que a “matemática é prática”). Contudo, as situações que contextualizam o número devem ganhar um maior destaque do que realmente possuem nas salas de aula desse Brasilzão! Este é UM dos três segredos que eu conto nesta aula aqui. 

 

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Abraço, 

Professora Camila Oliveira 

2 Comentários

  1. Avatar

    Muito proveitoso a live com Camila uma figura de entendimento no assunto deixa tudo muito claro. Grata pela a partilha

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