12 dicas para alfabetizar (na quarentena ou fora dela)

Tempo de leitura: 7 minutos

Atualmente, estamos vivendo um tempo diferente. O mundo inteiro está passando por uma pandemia, algo que foi vivenciado pela última vez em meados de 1918, há 102 anos. Por isso, estamos todos aprendendo a passar por esse novo tempo. É um tempo que exige empatia, leveza, disposição em se reinventar e aceitar a reinvenção do meu próximoNeste sentido, nós, professores, temos cumprido um papel que é muito social (sempre foi, mas torna-se ainda mais)Agora, abraçamos de maneira ainda mais intensa os nossos alunos, as suas dificuldades, as famílias e as limitações do nosso trabalho, que já são grandes na escola, imagine fora dela. Lembre-se que os tempos escolares são extremamente culturais. Raros casos, estas crianças que estão em casa se alfabetizarão da mesma forma do que se estivessem na escola, trocando com sua professora e com seus pares. E está tudo bem! A sua turma não é a única do bairro, da cidade, do estado ou do país que vai passar por isso. Todas irão. E quando tudo acabar, iremos juntos pensar em estratégias para abraçar novamente as demandas das nossas crianças. Serão decisões micro (em nível de turma) e macro (até a nível político, de calendário, por exemplo) que serão repensadas. Conte conosco para isso! 

 

Mas, hoje, eu tenho um recado para você: 

Não sofra por antecipação. Não adoeça. Não enlouqueça! Eu sei, temos a síndrome do super-homem, de querer resolver tudo, de salvar a todos. Abandone a capa, deixe ela de ladinho e faça o que é POSSÍVEL. Não se castigue por isso. Todos estamos tentando dar o nosso melhor. Famílias, sejam compreensivas com os professores, eles estão tendo que aprender um jeito novo de ensinar (e estão rachando a cuca, acredite!). Professores, sejam compreensivos com as famílias que, às vezes, precisam atender toda a demanda dos filhos, da casa, do trabalho, das contas chegando na porta… Estamos todos aprendendo! 

Dito isso, vamos refletir sobre como podemos pensar em planejamentos criativos, tanto presenciais como on-line. 

 

Como planejar: 

1 – Considere o currículo: pense sobre as demandas locais, o currículo da escola. Esse é o ponto de partida para qualquer planejamento, seja no mundo online ou no offline. O QUE eu quero que os meus alunos consigam atingir, ONDE eu quero que eles cheguem. A partir deste questionamento, você conseguirá pensar em melhores estratégias para auxiliá-los. Para ler sobre dicas de planejamento na alfabetização, clique aqui. 

2 – Parceria das colegas: troque com seus pares! Parceria é tudo! Assim você não precisa “levar o mundo nas costas”. Uma colega pode ficar responsável por pensar sobre algum objetivo específico, você em outro, e depois podem trocar, fazendo alterações necessárias para atender as especificidades da sua turma. 

3 – Observar o nível médio da turma: no início do ano, muito provavelmente, você realizou (ou deveria) atividades de sondagem de leitura e de escrita. A partir daí, você pode observar qual é o nível médio em que a sua turma se encontra, a fim de pensar em estratégias, intervenções e atividades diferenciadas para as hipóteses de escrita. 

4 – Invista em formação: boas leituras, bons cursos e uma teoria de peso, aliados às ideias práticas, vão te ajudar a se sentir mais segura, fazendo uma colcha de retalhos personalizada para a sua turma, colocando em prática uma metodologia que considera as necessidades dos seus alunos. Aproveite a quarentena para estudar e tornar-se uma professora protagonista. Abandone a ideia de receitas prontas. Se você tem sede de conhecimento, te convido a clicar aqui. 

 

E na quarentena, como adaptar? 

Se sentindo perdida por onde começar, o que fazer e como melhorar? Vamos às dicas práticas! Para dicas de atividades para a quarentena, leia este artigo com 52 ideias. 

5 – Se a escola está pedindo para gravar vídeos para os alunos: basta um celular e pronto. Não são necessárias grandes produções. Se você ou algum amigo ou familiar sabe editar, colocar efeitos e deixar o vídeo mais limpo, melhor ainda. Mas não é necessário. Você pode fazer os efeitos de maneira bem “caseira”. Ligue uma música de fundo, vista-se com uma fantasia, coloque acessórios, use objetos. Os mesmos recursos que você usaria na sala podem ser utilizados durante o vídeo. Faça exploração de palavras com a janelinha (é um recurso para ensinar a ler e escrever que você pode ver aqui), retire objetos de um saco, para que as crianças escrevam o nome, faça leitura de bons livros, explorando a capa, fazendo perguntas de inferência, de compreensão. Faça também vídeos curtos, explicando como as atividades enviadas podem ser feitas. 

6 – Grave áudios ou escreva explicações para os pais: as famílias estão dando conta de uma demanda nova. Grave vídeos, envie áudios ou envie explicações sobre como os pais podem ajudar os filhos. Explique sobre como podem intervir, ao invés de dar respostas prontas. Lembre: eles não são pedagogos, por isso, ajude-os a auxiliar o processo dos filhos em casa. Meu recado também é para os pais: Tenham paciência e respeito com a escola e professoras. Todas estão se dedicando ao máximo para continuar proporcionando momentos de educação escolar.  

7 – Letramento: invista em atividades de letramento, com ênfase nas práticas familiares. Anotar o que a mãe está cozinhando, etiquetar ambientes da casa, escrever a sua rotina… Você pode ter mais ideias clicando aqui. 

8 – Não dependa de impressora: muitos alunos não têm como imprimir as atividades enviadas, pois não possuem impressora, tinta, folha… Pense sempre em tarefas que possam ser reproduzidas em casa com facilidade, onde a criança olhe e consiga realizar em seu caderno ou em uma folha em branco. Também é tempo de incentivar a produção própria, o protagonismo do aluno. Será que a folha pronta tem mais significado? Desafie seus alunos a escreverem receitas e fazerem uma tabela à mão livre, por exemplo. 

9 – Salas de videoconferência: para as crianças que possuem o recurso da internet, os encontros presenciais são bem importantes. As crianças adoram a ideia de poderem se encontrar. Os aplicativos que têm sido mais usados para esta função são o Hungout Meets e o Zoom. Tratam-se de programas que permitem videoconferências com várias pessoas, bastando um celular ou computador com acesso à internet para participar. Minha equipe gravou um vídeo ensinando a usar o ZOOM.  

10 – Combine o retorno das atividades: isso vai ser acertado de acordo com as possibilidades existentes. Tanto as atividades podem ser entregues apenas na volta às aulas, como podem ser mandadas por foto, áudios e vídeos por e-mail e grupos de Facebook ou outras redes sociais. Preserve seu horário de trabalho, delimite os horários de atenção para as famílias.  

11 – Vínculo: Não temos a pretensão de achar que aulas remotas para alfabetização funcionam. Aliás, enviar videoaulas expositivas (extensas ou não), em que os alunos serão meros receptores de informação, está longe da alfabetização ideal. Interação é fundamental para que ocorra aprendizagem significativa. Assim sendo, na nossa opinião, a prioridade de atendimento é para manter o mínimo de vínculo com os amigos e com algumas habilidades escolares, mas não vejo problema em suspender as aulas durante este período. O ano letivo (suas horas e dias) é um tempo inventado. 

12 – Baixe a ansiedade: esse é um ano diferente. Só pra lembrar você, novamente. 

 

Se você deseja assistir um vídeo inteiro sobre planejamento e adaptação de atividades para o mundo online, clique aqui.

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Abraço, 

Professoras Clarissa e Camila 

4 Comentários

  1. Avatar

    Sempre agregando e nos encorajando, mesmo em momentos complicados. Obrigada por auxiliar sempre com tanta qualidade.

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    1. Avatar

      Olá, Sileide, tudo bem?

      Que alegria receber a sua mensagem.
      Muito obrigada pelo carinho e conte conosco! 😉

      Abraços, Martha #EquipeClarissaPereira

      Responder

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